Operação Nexus revela como PCC monitorava movimentação policial em Itatiba, cidade de 127 mil habitantes.
Dezenas de câmeras instaladas em pontos estratégicos de Itatiba, município paulista com 127 mil habitantes, foram apreendidas na Operação Nexus, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) e o 1º Batalhão de Ações Especiais (Baep) da Polícia Militar.
Segundo as investigações, os equipamentos de monitoramento eram utilizados por indivíduos ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC) para rastrear a presença de viaturas da Polícia Militar e da Guarda Civil Municipal (GCM) na cidade.
A descoberta revela um sofisticado método de vigilância empregado pelo crime organizado, visando antecipar ações policiais e garantir a segurança de suas operações ilícitas. As informações foram divulgadas pelo MPSP e pela PM, detalhando o modus operandi do grupo criminoso.
Grupos de WhatsApp para monitoramento e tráfico
Promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) desvendaram a existência de dois grupos distintos no aplicativo WhatsApp. O primeiro, intitulado “30º Encontro dos Cavaleiros da Estrada”, era dedicado exclusivamente ao monitoramento da movimentação de viaturas policiais em Itatiba.
O segundo grupo, chamado “Família Real”, contava com cerca de cem integrantes e concentrava as discussões sobre transações relacionadas ao tráfico de drogas, incluindo a logística e a distribuição de entorpecentes.
Câmeras ligadas a associação de vereador
As investigações apontam que as câmeras usadas pelo PCC pertenciam a uma associação ligada ao vereador Carlos Eduardo de Oliveira Franco (MDB), conhecido como Duguaca. Ele foi um dos alvos de busca e apreensão durante a Operação Nexus, com sua residência e gabinete sendo inspecionados.
Documentos indicam que a presidência dessa associação se alternava entre o vereador e sua esposa. Duguaca, em suas redes sociais, negou qualquer vínculo com o crime organizado, afirmando que as câmeras visam o monitoramento de espaços públicos e a inibição de vandalismo.
Policial militar e empresário investigados
Um policial militar, cuja identidade não foi revelada, também foi alvo da operação, com mandado de busca e apreensão cumprido pela Corregedoria da PM. Ele mantinha conversas com Reginaldo Pereira da Silva, o Tim, apontado como um dos chefes regionais do PCC.
Além de Tim e sua esposa, Roseli de Souza Figueiredo, seis pessoas foram presas. As investigações indicam que Tim negociava carros de luxo, como Lamborghini, Ferrari e Porsche. Ele foi preso em um condomínio de luxo, portando uma Ferrari e grande quantia em dinheiro. Há suspeitas de que ele tenha sido alertado sobre a operação, tentando fugir por uma área de mata.
O empresário do ramo de carros de luxo, Leandro Gabioneta, com mais de 1 milhão de seguidores nas redes sociais, também é investigado por atuar como um “banco particular” para Tim, com movimentações financeiras que ultrapassam R$ 2 milhões. Gabioneta negou o envolvimento.
Origem da investigação e apreensões
A rede criminosa começou a ser desvendada a partir da prisão do traficante Rodrigo Pereira Malta, o Malta, na Operação Onça Preta. A investigação que levou à Operação Nexus teve início há quatro meses.
O celular de Malta continha mensagens que indicavam a subordinação ao traficante Tim, que possui histórico criminal desde 2008. A Operação Nexus resultou na prisão temporária de cinco pessoas, incluindo Tim e sua esposa, além de um flagrante de tráfico. Foram apreendidos R$ 200 mil em dinheiro, 10 quilos de drogas e carros avaliados em mais de R$ 5 milhões. Contas bancárias e bens dos investigados foram bloqueados pela Justiça.













