O empresário Paulo Cupertino pega 98 anos de prisão pela morte do ator Rafael Miguel, conhecido pelo papel na novela Chiquititas, e de seus pais, João Alcisio Miguel e Miriam Selma Silva Miguel. O julgamento aconteceu no Fórum Criminal da Barra Funda, em São Paulo, e foi concluído nesta sexta-feira (30), após dois dias de sessão. A condenação é em regime fechado.
Segundo a acusação do Ministério Público, Cupertino disparou 13 vezes contra as três vítimas em junho de 2019, motivado por não aceitar o namoro da filha, Isabela Tibcherani, com Rafael, que na época tinha 22 anos. Os pais do ator, João, de 52 anos, e Miriam, de 50, também foram mortos. O júri acatou as qualificadoras de homicídio doloso com motivo fútil e sem chance de defesa das vítimas.
Réus no mesmo processo, Eduardo Machado e Wanderley Ribeiro Senhora, acusados de ajudar o empresário na fuga, foram absolvidos. A defesa de Cupertino ainda não se pronunciou sobre a sentença. Ele já estava preso desde 2022 no Centro de Detenção Provisória de Guarulhos II.
Relembre o crime
O crime ocorreu na frente da casa de Cupertino, no bairro Pedreira, Zona Sul de São Paulo. Naquele dia, Rafael e seus pais levaram Isabela até a residência do pai para tentar uma reconciliação familiar. Isabela havia discutido com Cupertino e buscado abrigo na casa do namorado.
Assim que chegaram, Cupertino puxou a filha para dentro da casa e logo voltou com uma arma em punho, disparando contra Rafael e seus pais. Todos morreram no local. Após o crime, Cupertino fugiu com a ajuda de amigos. Ele foi capturado apenas em 2022, em um hotel de São Paulo, usando identidade falsa.
Na época da prisão, com ele foram encontrados tintas de cabelo, lentes de contato e chapéus usados para disfarçar sua aparência. O julgamento havia sido marcado anteriormente, mas foi adiado depois que Cupertino destituiu o advogado no dia da sessão.
Depoimentos marcantes
Durante o julgamento, Isabela Tibcherani e a mãe, Vanessa Tibcherani, prestaram depoimento e descreveram o histórico de agressões e controle psicológico por parte de Cupertino. Segundo Isabela, o pai a proibia de sair de casa e monitorava suas conversas, mantendo-a reclusa por cerca de oito meses.
“Oito meses, sem contato, sem celular, sem convívio com outras pessoas, só dentro de casa”, afirmou a jovem em juízo. Em outra parte do depoimento, ela lembrou que o pai dizia: “Você só vai namorar depois dos 30, se eu deixar.”
O relacionamento entre Isabela e Rafael durou pouco mais de um ano. Segundo a jovem, no dia do crime, ela estava abalada após uma nova briga com o pai e decidiu ir até a casa de Rafael. Posteriormente, foram convencidos a visitar Cupertino para tentar um diálogo.
“Quando chegamos, o Rafael foi abrir a porta. Meu pai me puxou para dentro com agressividade. Depois disso, ouvi vários disparos. Vi o corpo do Rafael sobre o da mãe dele, e o corpo do pai no meio da rua”, relatou.
A promotora Soraia Bicudo, responsável pela acusação, defendeu que a frieza e a premeditação do crime justificavam a pena máxima possível. Para o Ministério Público, o assassinato foi um feminicídio indireto, já que o verdadeiro alvo era punir a filha por contrariá-lo.
Com a condenação confirmada, Cupertino continuará preso. A sentença representa o desfecho de um dos crimes mais chocantes da última década no Brasil, marcado por brutalidade, intolerância e tentativa de controle absoluto sobre a vida da própria filha.














