Por Fred Pontes
O Brasil dorme neste final de noite de domingo, 5 de julho de 2026, com o coração apertado e o sentimento de tristeza por mais uma eliminação em uma Copa do Mundo. A derrota dói. Dói no torcedor, na criança que sonha em vestir a camisa da Seleção, no trabalhador que parou para assistir ao jogo, em cada brasileiro que acreditou que o hexacampeonato poderia chegar.
Mas essa derrota me leva a uma reflexão muito maior do que o futebol.
Como fotógrafo, tive o privilégio de registrar milhares de brasileiros vestindo verde e amarelo, carregando a bandeira nacional, cantando o Hino Nacional e demonstrando um amor contagiante pelo país. São imagens emocionantes. Mas sempre me pergunto: por que esse patriotismo parece existir apenas durante uma Copa do Mundo?
Na minha juventude, tive a oportunidade de estudar em outro país: os Estados Unidos. Foi lá que aprendi, na prática, o significado do patriotismo. Vi pessoas honrarem sua bandeira diariamente, respeitarem seus símbolos nacionais, cantarem seu hino com orgulho e demonstrarem amor pelo país em pequenos gestos do cotidiano. O patriotismo está presente nas escolas, nas casas, no comércio, nas ruas e até nos pequenos souvenires vendidos aos visitantes. Não é algo que aparece apenas em dias de grandes competições.
Sempre me pergunto por que nós, brasileiros, não fazemos o mesmo. Por que a bandeira do Brasil não está presente nas portas das nossas casas durante todo o ano? Por que o nosso Hino Nacional, um dos mais belos do mundo, é lembrado apenas em ocasiões especiais? Por que o orgulho de ser brasileiro parece desaparecer quando termina o campeonato?
Também me entristece pensar em quantas empresas investiram, quantos comerciantes decoraram suas lojas, quantos produtos foram preparados para esse momento e quantos produtores organizaram eventos para reunir famílias e amigos em torno da nossa Seleção. Todos acreditaram, todos sonharam e todos fizeram a sua parte.
Mas este não é o momento de procurar culpados. Não devemos apontar o dedo para jogadores, comissão técnica ou qualquer outra pessoa. O futebol é feito de vitórias e derrotas.
Talvez seja justamente agora o momento de fazermos uma reflexão muito mais profunda sobre o Brasil e sobre a forma como participamos das decisões que envolvem o nosso país.
Dentro de alguns meses, iremos às urnas escolher presidente, governadores, senadores, deputados federais e estaduais. Exercemos esse direito porque acreditamos que o voto é a maior expressão da democracia.
E é exatamente aí que deixo a grande reflexão deste artigo:
Se o povo brasileiro escolhe, pelo voto, aqueles que governam o país, por que não pode escolher também quem preside a Confederação Brasileira de Futebol?
Essa é uma pergunta que merece ser debatida.
Talvez o verdadeiro patriotismo não esteja apenas em torcer pela Seleção, mas em participar, cobrar, fiscalizar e defender instituições cada vez mais transparentes, representativas e comprometidas com os interesses do povo.
O Brasil perdeu uma partida de futebol.
Mas o amor pelo Brasil não pode terminar quando o árbitro apita o fim do jogo.
Que a nossa bandeira continue tremulando. Que o nosso Hino Nacional continue emocionando. E que o patriotismo deixe de ser um sentimento de quatro em quatro anos para se tornar um compromisso diário de cada brasileiro.
Porque o Brasil é muito maior do que uma Copa do Mundo.














