Palacete do Parque Lage passará por reforma e será exclusivo da EAV

Parque Laje

O Palacete do Parque Lage, um dos mais icônicos edifícios históricos da Zona Sul do Rio, passará por sua primeira grande reforma estrutural em quase um século. Localizado no coração da mata do Jardim Botânico, aos pés do Corcovado, o prédio será destinado exclusivamente à Escola de Artes Visuais (EAV), referência nacional no ensino de arte contemporânea. A decisão surge após anos de queixas de alunos e professores sobre o excesso de turistas interferindo nas atividades acadêmicas.

As obras têm início nesta segunda-feira (12) e incluem reparos estruturais, modernização das redes hidráulica e elétrica, instalação de sistemas de climatização e combate a incêndios, além de melhorias de acessibilidade. O investimento total é de R$ 21,4 milhões, com previsão de conclusão até junho de 2026. A primeira etapa envolverá a lavagem da fachada, e as visitas ao interior do prédio serão suspensas a partir do dia 29.

Segundo a secretária estadual de Cultura, Danielle Barros, o objetivo é conciliar o valor artístico do palacete com o uso educacional: “O Parque Lage é hoje um dos principais pontos turísticos do Rio e do Brasil, e vamos integrá-lo ainda mais ao dia a dia do cidadão e ao fazer artístico da nossa Escola de Artes Visuais. O espaço terá uma programação potente, tornando a escola e a arte mais próximas de todos.”

A decisão de restringir o uso do palacete à EAV inclui o encerramento definitivo do restaurante que funcionava no pátio central e a suspensão das atividades comerciais no interior do prédio. Já a visitação pública ao parque e suas áreas externas — como trilhas, aquário, jardins e cachoeiras — continuará liberada normalmente.

Durante o período de obras, a Escola de Artes Visuais será transferida temporariamente para as Cavalariças, também localizadas dentro do Parque Lage. As aulas serão interrompidas por apenas uma semana. A mudança provisória visa garantir a continuidade das atividades acadêmicas com o mínimo de impacto.

A proposta de limitar o acesso ao palacete não é nova. Professores e alunos da EAV vinham pedindo uma solução para o alto fluxo de visitantes, que interferia em aulas, oficinas e exposições. A diretora interina da escola, Tânia Queiroz, explicou que a ideia não é excluir o público, mas reorganizar o uso do espaço. “O grande fluxo de turista interfere no funcionamento da EAV, mas não queremos excluir esses visitantes. Pensamos em realizar programações que levem o público para outras atividades que não sejam apenas fazer fotografias, mas também ouvir artistas e assistir a filmes.”

Uma das propostas em debate é restringir a visitação ao palacete para fins de semana e feriados, com acesso controlado nos dias úteis, conforme o calendário de aulas da escola. Essa reorganização do uso do espaço visa valorizar a arte como eixo central do Parque Lage e evitar que o local se torne apenas um cenário para selfies e passeios casuais.

O Palacete do Parque Lage, fundado na década de 1920, abriga a Escola de Artes Visuais desde 1975, ano em que foi fundada pelo artista Rubens Gerchman. Ao longo das décadas, a escola se consolidou como uma das principais instituições de formação artística do país. O restauro do palacete integra as comemorações pelos 50 anos da EAV e virá acompanhado de uma programação especial, prevista para começar em julho.

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