Uma paciente acusa técnico de estupro durante internação no Hospital Estadual Getúlio Vargas, na Zona Norte do Rio de Janeiro. A denúncia foi feita por uma jovem de 24 anos que, nesta segunda-feira (19), permanece sob os cuidados de uma equipe multidisciplinar no Hospital Naval Marcílio Dias, unidade para a qual foi transferida após o ocorrido.
De acordo com o Jornal Extra, o crime foi registrado na última quinta-feira (16) na 22ª DP (Penha), após a vítima relatar que havia sido dopada e abusada sexualmente por um profissional da unidade pública de saúde onde estava internada havia cerca de dez dias, após sofrer um acidente de trânsito. A jovem aguardava cirurgias no joelho e no tornozelo.
O Hospital Naval, onde a vítima está atualmente, informou que não divulgará detalhes sobre o quadro clínico da paciente, em respeito à sua privacidade. A jovem está sendo acompanhada por profissionais de saúde mental, médicos e assistentes sociais.
Segundo o depoimento ao qual a reportagem teve acesso, a jovem relatou que o agressor introduziu o dedo em suas partes íntimas, se masturbou diante dela e a forçou a fazer sexo oral. O ato teria ocorrido enquanto ela estava sob efeito de medicamentos, o que, segundo as autoridades, caracteriza vulnerabilidade da vítima.
Após o abuso, a jovem conseguiu reunir forças para reagir. Ela pegou um copo vazio e cuspiu o sêmen, em seguida acionou os familiares pelo celular e chamou uma paciente do leito ao lado para buscar ajuda. Ao ouvir o relato, uma profissional de enfermagem recolheu o material genético e o armazenou em uma garrafa de água mineral para preservar provas.
Assistentes sociais foram chamados e a Polícia Militar foi acionada logo depois. O técnico de enfermagem foi preso em flagrante ainda dentro do hospital. Conduzido à delegacia, ele permaneceu em silêncio durante o depoimento e se recusou a fornecer material biológico para os exames periciais.
O acusado foi autuado por estupro de vulnerável e encaminhado ao sistema prisional. A vítima, por outro lado, forneceu espontaneamente amostras de sangue e urina para a realização de exames toxicológicos que poderão comprovar o uso de substâncias que tenham comprometido sua capacidade de resistência.
A Polícia Civil informou que as investigações continuam em andamento. Os laudos periciais serão decisivos para a confirmação do relato da vítima e para a conclusão do inquérito.
A Secretaria Estadual de Saúde declarou, por meio de nota, que o técnico de enfermagem era funcionário terceirizado da Fundação Saúde e foi desligado de suas funções imediatamente após a denúncia. A pasta também afirma que está colaborando com as autoridades e que a conduta do profissional é considerada inaceitável.
O caso gerou indignação entre pacientes e servidores da rede pública. Entidades ligadas aos direitos das mulheres e à saúde denunciaram a gravidade do episódio e pedem maior rigor na contratação e fiscalização de profissionais em hospitais estaduais.
A jovem, que ainda se recupera das sequelas do acidente, agora também lida com o impacto psicológico da violência sofrida. A equipe do Hospital Naval afirma que está oferecendo acompanhamento psicológico constante, além do suporte médico necessário para sua plena recuperação física.














