Oposição defende Bolsonaro com comissões durante recesso

Bolsonaro com a mão no rosto

Mesmo em pleno recesso parlamentar, a oposição defende Bolsonaro com articulações nas comissões da Câmara dos Deputados nesta terça-feira (22). As comissões de Segurança Pública e Relações Exteriores – ambas comandadas por deputados do PL – realizam sessões para votar moções de apoio ao ex-presidente, que acompanha de perto as movimentações.

Na Comissão de Segurança, o requerimento é liderado pelo deputado Zucco (PL-RS), que justificou a iniciativa como uma forma de garantir o “respeito ao princípio da presunção de inocência, ao devido processo legal e à proteção dos direitos fundamentais”.

Já na Comissão de Relações Exteriores, dois requerimentos foram apresentados: um pelo líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), e outro pelo deputado Evair Vieira de Melo (PP-ES), vice-líder da oposição. Sóstenes afirmou que Bolsonaro “recuperou o País da tragédia ao longo de 14 anos de gestões petistas” e listou 16 feitos do ex-presidente como justificativa para a moção.

Há, no entanto, incertezas logísticas para a realização das sessões. O corredor das comissões está em obras durante o recesso, o que fez a Comissão de Segurança já garantir uma sala, enquanto a Comissão de Relações Exteriores ainda busca um espaço.

Deputados aliados ao ex-presidente viajaram a Brasília mesmo após o início do recesso, que começou na última sexta-feira (18), para discutir estratégias de reação às medidas impostas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A ideia inicial era solicitar a retomada das atividades legislativas, mas o pedido foi negado pelos presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).

Como alternativa, foram convocadas sessões emergenciais nas comissões e iniciadas discussões para criar novos grupos que possam elaborar estratégias de comunicação e organizar manifestações.

Após o recesso, o plano da oposição no Senado é colocar em pauta o impeachment de Moraes. Na Câmara, as prioridades são aprovar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para o fim do foro privilegiado e a anistia aos presos do 8 de Janeiro.

A prática de aprovar moções de louvor já é comum nas comissões. Entre 2023 e 2025, a Comissão de Segurança Pública destinou cerca de um terço de suas propostas a moções de reconhecimento ou elogios. “Este é um instrumento legítimo e essencial para que parlamentares se posicionem oficialmente sobre temas relevantes para o País”, afirmou o presidente da comissão, Paulo Bilynskyj (PL-SP), em depoimento ao jornal O Dia.

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