Operador financeiro do CV é preso no Galeão ao voltar da Europa

A Polícia Civil prendeu em flagrante Gabriel Maurício Soares Paes, conhecido como Ximba, na madrugada desta sexta-feira no Aeroporto Internacional do Galeão, na Ilha do Governador. Ele é suspeito de lavar dinheiro para o Comando Vermelho.

A captura ocorreu no momento do desembarque do investigado, que retornava de um roteiro de luxo por países da Europa. Os agentes da DRE cumpriram o mandado no terminal aéreo sem tumulto para os passageiros.

Como funcionava o esquema financeiro da quadrilha no Rio

As apurações conduzidas pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro apontam que Gabriel operava um complexo sistema de lavagem de capitais. O dinheiro tinha origem no tráfico de drogas chefiado a partir do Complexo da Penha, na Zona Norte.

Segundo a polícia, Ximba atuava em parceria direta com Nikolas Fernandes Soares, vulgo Hurley. Hurley havia sido capturado durante a megaoperação Contenção, deflagrada no fim de outubro de 2025 pelas forças de segurança estaduais.

A análise de conversas e dados telemáticos de aparelhos apreendidos com Hurley revelou o tamanho das transações. As mensagens comprovaram uma rotina intensa de depósitos fracionados, saques volumosos e envio de recursos entre contas de pessoas físicas e jurídicas.

Em um dos diálogos interceptados, Hurley avisou a Ximba que precisava escoar R$ 700 mil em dinheiro vivo. Gabriel prontamente forneceu os dados de contas abertas em nome de intermediários para pulverizar a quantia por meio de transferências eletrônicas.

Em outro momento detalhado pela especializada, os policiais identificaram comprovantes bancários somando R$ 268.150,01 movimentados entre empresas fictícias. Os relatórios financeiros da investigação também flagraram conversas sobre uma negociação única que alcançou R$ 2 milhões.

De acordo com os investigadores, a engrenagem transformava cédulas recebidas nas bocas de fumo em créditos bancários limpos. O grupo usava o sistema PIX e contas de passagem em diferentes estados, incluindo firmas fantasmas registradas em Rondônia.

A Delegacia de Repressão a Entorpecentes também identificou indícios de que Ximba chefiava uma central clandestina de golpes financeiros. Parentes e pessoas próximas eram colocados como titulares das contas, incluindo a própria companheira do investigado, para dispersar os valores ilegais.

O que já se sabe sobre a ligação com a cúpula da facção

Conforme o inquérito da DRE, os operadores eram subordinados diretos da cúpula do Comando Vermelho que atua na Zona Norte da capital. Hurley respondia a Edgar Alves de Andrade, o Doca, uma das principais lideranças foragidas da facção.

Outro elo apontado pelos agentes é Rosemberg da Silva Medeiros Gomes, conhecido como Berg, apontado pelos relatórios de inteligência como o responsável pela contabilidade do Complexo da Penha. Era dele a missão de conferir o faturamento bruto das comunidades da região.

Com a quebra do sigilo dos aparelhos de Hurley, os policiais conseguiram mapear a rota das viagens de Ximba ao exterior. O monitoramento permitiu saber a data exata e o voo em que ele retornaria ao território fluminense para que a abordagem ocorresse ainda na área de desembarque.

Quem responde pelo caso e os próximos passos

O caso está sob responsabilidade da Delegacia de Repressão a Entorpecentes, localizada na Cidade da Polícia, na Rua Bernardo de Vasconcelos, número 735, no bairro do Jacarezinho. A unidade especializada segue analisando os computadores e aparelhos recolhidos com o suspeito no aeroporto.

Gabriel Maurício Soares Paes foi autuado pelo crime de integrar organização criminosa. A defesa do investigado ainda não havia se manifestado publicamente sobre a prisão até a publicação desta reportagem.

Os policiais agora tentam identificar outros beneficiários das transferências bancárias e os proprietários reais dos negócios usados como fachada. A Receita Federal e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras devem ser oficiados para rastrear o patrimônio restante adquirido com os recursos ilícitos.

Como denunciar esquemas de lavagem de dinheiro e esconderijos

A população fluminense pode repassar informações sobre movimentações suspeitas, criminosos foragidos e atividades financeiras de facções criminosas de forma totalmente segura. A colaboração dos moradores auxilia diretamente o trabalho investigativo das forças de segurança.

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