A Polícia Civil deflagrou nesta terça-feira (16) a Operação São Francisco, considerada a maior ação já realizada no Brasil contra o tráfico de animais no Rio. Coordenada pela Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA), a ofensiva mobilizou mais de mil policiais civis e foi resultado de um ano de investigações.
Segundo a corporação, o grupo investigado é apontado como a maior organização criminosa do estado especializada no comércio ilegal de animais silvestres, com ramificações interestaduais. Ao todo, foram expedidos mais de 40 mandados de prisão e 270 de busca e apreensão em diferentes regiões do Rio de Janeiro, além de operações simultâneas em São Paulo e Minas Gerais. Até a manhã, 17 suspeitos haviam sido presos.
Entre os alvos está o deputado estadual TH Joias, preso há duas semanas, apontado por áudios obtidos pela polícia como comprador de primatas brasileiros e responsável por indicar novos clientes ao esquema. Conversas interceptadas mostram traficantes oferecendo animais raros, como o macaco mão-de-ouro (Saimiri sciureus), por R$ 3.500, e filhotes de macaco-prego (Sapajus apella), vendidos por R$ 4.500 em pontos de retirada na Penha e no Alemão.
As investigações revelaram que a quadrilha tinha estrutura complexa. Um núcleo de caçadores era responsável pela captura de animais em áreas como o Parque Nacional da Tijuca e o Horto. Outro grupo atuava como atravessador, transportando os animais para os centros urbanos. Havia ainda falsificadores de documentos, selos e chips, que legalizavam de forma fraudulenta os espécimes, e um núcleo ligado ao fornecimento de armas e munições. Parte do comércio era realizado em feiras clandestinas controladas por facções criminosas.
O delegado André Prates Fraga, da DPMA, destacou a gravidade do esquema. É importante que a população tenha consciência de jamais comprar qualquer animal silvestre em feiras, porque é isso que alimenta toda a cadeia criminosa: o tráfico de animais, os maus-tratos e muita crueldade. A grande maioria desses animais morre no trajeto, afirmou.
Os animais resgatados serão encaminhados à Cidade da Polícia, onde passarão por atendimento veterinário e perícia. Depois, seguirão para centros de triagem, com a perspectiva de serem reintroduzidos em seus habitats.
O governador do Rio, Cláudio Castro, elogiou a ação e afirmou que o estado não dará espaço para o crime organizado. Hoje o Rio de Janeiro mostra, mais uma vez, que não vai recuar diante do crime. Estamos falando de uma quadrilha que, além de destruir a nossa fauna e ameaçar a biodiversidade, também alimentava a violência com a venda de armamento pesado, declarou.














