A Polícia Civil prendeu duas pessoas no Rio de Janeiro nesta segunda-feira durante uma operação contra o desvio ilegal de armas para facções criminosas. Mandados judiciais foram cumpridos na capital fluminense e também no município de Niterói.
Esquema usava fraudes de registros para abastecer traficantes
As investigações apontam que a quadrilha montou uma rede para comprar armamento legalmente e depois repassar o arsenal a criminosos do Comando Vermelho e do Bonde do Maluco. Para conseguir comprar fuzis, carabinas e pistolas, o bando falsificava laudos psicológicos, comprovantes de endereço e atestados de trabalho.
Com essa documentação falsa, os envolvidos conseguiam emitir certificados de Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador, conhecidos pela sigla CAC. De posse das autorizações, compravam as armas nas lojas e desviavam o material para o tráfico de drogas e grupos violentos.
Segundo os agentes, as contas bancárias ligadas ao grupo movimentaram valores superiores a R$ 100 milhões. Um dos principais articuladores do esquema morava na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio, de onde comandava a estrutura financeira e logística das fraudes.
Como funcionava a divisão dos criminosos
O grupo mantinha uma divisão clara de tarefas para não chamar a atenção dos órgãos de controle. Uma ponta cuidava apenas da falsificação dos papéis e da cooptação de pessoas para registrar as armas.
Outro setor ficava encarregado de recolher o armamento comprado e fazer a entrega para as facções. A quantia arrecadada com as vendas ilegais era lavada por meio de empresas que movimentavam cifras milionárias sem atividade comercial compatível.
A ofensiva desta segunda-feira cumpriu mais de 25 ordens judiciais espalhadas por quatro estados: Rio de Janeiro, Bahia, Ceará e Rio Grande do Sul. Além das duas prisões em território fluminense, outros suspeitos foram capturados em Salvador e cidades vizinhas.
O que já se sabe sobre o caso
A investigação foi batizada de Operação Mercador e mobilizou departamentos especializados de combate ao crime organizado e ao narcotráfico. Os agentes confirmaram que o esquema não vendia apenas revólveres comuns, mas também fuzis de grosso calibre que abasteciam barricadas e confrontos de rua.
Os envolvidos responderão pelos crimes de comércio ilegal de armas de fogo e munições, organização criminosa, falsificação de documentos públicos e lavagem de capitais. Novas fases da apuração não foram descartadas pela polícia, que ainda analisa documentos apreendidos durante as buscas.
Como denunciar movimentações suspeitas
A circulação de armas ilegais piora a segurança de quem anda de ônibus, trabalha no comércio ou precisa circular pelos bairros da Região Metropolitana do Rio. Qualquer movimentação de depósitos clandestinos ou repasse de materiais suspeitos pode ser informada anonimamente aos canais oficiais.
O Disque Denúncia do Rio atende a população pelo telefone (21) 2253-1177, com funcionamento 24 horas por dia e garantia absoluta do sigilo. Quem preferir pode enviar mensagens com fotos e relatos pelo aplicativo oficial do Disque Denúncia RJ ou pelo site oficial da central.
Quem responde por isso
A ação no estado fluminense teve atuação direta da Delegacia Especializada em Armas, Munições e Explosivos, em apoio a equipes que investigam a ramificação do tráfico interestadual. As informações apuradas nos mandados de Niterói e da Barra da Tijuca serão cruzadas com dados da Polícia Civil do Rio de Janeiro para identificar outros receptadores locais.
Quem mora ou passa pelas regiões onde os mandados foram cumpridos acompanhou movimentação intensa de viaturas pela manhã, mas não houve registro de confrontos diretos nem bloqueio prolongado de vias públicas durante a ação.














