A Polícia Civil prendeu três homens na manhã deste sábado (17) durante uma operação contra o roubo de remédios no Rio. O bando é suspeito de abastecer o tráfico do Terceiro Comando Puro no Complexo da Maré.
Esquema usava carros de aplicativo para roubar cargas na Pavuna
A ofensiva recebeu o nome de Operação Sentinela e foi coordenada pela Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas da Capital, com o apoio da Polícia Rodoviária Federal. Os agentes saíram para cumprir três mandados de prisão temporária e 15 mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça. Até o fim da manhã, três veículos haviam sido recuperados pelos policiais fluminenses.
As investigações começaram logo depois de um assalto violento registrado no dia 30 de setembro. Na ocasião, uma quadrilha interceptou um caminhão carregado com 16 paletes de medicamentos na Rodovia Presidente Dutra, na altura da Pavuna, na Zona Norte. O lote de produtos farmacêuticos estava avaliado em R$ 488 mil e tinha acabado de deixar o galpão da transportadora.
De acordo com o inquérito policial, cerca de dez homens armados participaram do cerco ao motorista na rodovia. O bando se dividiu em cinco automóveis e duas motos para fechar a passagem do veículo pesado. Enquanto parte do grupo rendia o condutor, comparsas desativavam o sistema eletrônico de rastreamento e bloqueio via satélite.
Carros de passageiros usados para escoltar crimes
Para despistar as viaturas nas ruas, os suspeitos clonaram o veículo da carga, trocando as placas originais pelas de outro caminhão parecido. O veículo de transporte acabou sendo encontrado abandonado dias depois perto do Complexo da Maré. Todo o estoque de caixas de remédios, no entanto, já havia sido descarregado nos acessos da comunidade.
Durante a apuração, os investigadores descobriram um detalhe que afeta diretamente o cidadão comum da capital. Três dos cinco carros flagrados no assalto da Dutra estavam cadastrados normalmente em plataformas de transporte de passageiros por aplicativo. Esses veículos continuavam rodando pelas ruas e pegando corridas diárias, o que trazia risco evidente para quem entrava nos carros sem saber de nada.
A Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas identificou esses veículos analisando imagens de câmeras de segurança, aparelhos de leitura ótica de placas e informações passadas pela concessionária da via. A equipe da Polícia Rodoviária Federal cruzou dados de monitoramento das rodovias federais que cortam a Baixada Fluminense e a capital.
Ligação com desvio milionário de remédios de câncer
A apuração da Polícia Civil revelou ainda que os investigados têm ligação direta com um esquema antigo de remédios caros. Em julho deste ano, a corporação realizou a Operação Metástase contra um grupo que desviava compostos oncológicos e imunossupressores. Aquela organização criminosa chegou a movimentar mais de R$ 33 milhões no mercado clandestino.
Segundo os agentes, os alvos da ação deste sábado assumiram as funções na rua depois que lideranças antigas foram presas. O dinheiro das cargas servia para financiar as ações do Terceiro Comando Puro na Zona Norte do Rio. A Justiça autorizou a apreensão judicial de cinco carros identificados nas filmagens para quebrar a estrutura financeira do bando.
O que já se sabe sobre a quadrilha
A investigação policial confirmou até agora os seguintes pontos sobre a atuação do grupo criminoso:
- O ataque na Rodovia Presidente Dutra contou com dez criminosos armados e sete veículos de apoio;
- O prejuízo imediato registrado pela transportadora foi de R$ 488 mil em medicamentos diversos;
- O caminhão foi deixado vazio no Complexo da Maré, mas a carga segue desaparecida;
- A Justiça expediu três ordens de prisão temporária e determinou o recolhimento de veículos usados no assalto.
Os policiais continuam em diligências para localizar outros integrantes que atuaram no planejamento da rota e na receptação final dos produtos roubados.
Como denunciar depósitos clandestinos e cargas roubadas
Quem tiver informações sobre locais usados para armazenar medicamentos sem nota fiscal ou sobre veículos de aplicativo envolvidos em crimes pode denunciar de forma totalmente anônima. O canal oficial da polícia é o Disque Denúncia do Rio de Janeiro, pelo telefone e WhatsApp (21) 2253-1177. O serviço atende a população 24 horas por dia, todos os dias da semana.
Informações também podem ser encaminhadas diretamente pelo aplicativo Disque Denúncia RJ ou pelo site oficial do programa. Se a ocorrência estiver acontecendo naquele instante em rodovias federais como a Dutra, a Ponte Rio-Niterói ou a Washington Luís, o motorista deve ligar imediatamente para o telefone 191, que é o número de emergência da Polícia Rodoviária Federal.















