A Polícia Federal deflagrou uma operação para prender suspeitos de integrar uma organização criminosa especializada em furtar encomendas de dentro dos Correios. Os criminosos usavam documentos falsificados e se passavam pelos verdadeiros donos dos pacotes para fazer as retiradas nas agências do Rio de Janeiro.
A ação recebeu o nome de Operação Fraus. Os agentes saíram às ruas para cumprir três mandados de prisão preventiva e oito mandados de busca e apreensão. Os alvos foram localizados em endereços na capital fluminense e também no município de São Vicente, no litoral de São Paulo.
Esqueima usava identidade falsa para retirar encomendas nas agências
As investigações começaram após o setor de segurança dos próprios Correios notar a retirada irregular de mercadorias valiosas. A quadrilha conseguia dados das vítimas, produzia identidades falsas com as fotos dos integrantes do grupo e apresentava o documento no balcão de atendimento.
Com o documento falso em mãos, os suspeitos assinavam o comprovante de entrega e levavam a mercadoria sem chamar a atenção dos funcionários. Quando o cliente verdadeiro chegava à agência ou checava o rastreamento na internet, o sistema constava que o pacote já tinha sido entregue.
Além dos produtos de alto valor comercial, a polícia apura se o grupo também interceptava talões de cheques, cartões de crédito e documentos oficiais enviados por correspondência para aplicar outros golpes no comércio e em bancos.
O que muda para quem espera encomendas no Rio
Para quem utiliza o serviço postal, a operação traz mais segurança no momento da retirada presencial. Os Correios informaram que reforçaram o protocolo de conferência de documentos nas agências de todo o estado do Rio de Janeiro para evitar novas fraudes.
Se você tem um pacote para retirar na agência, saiba que a exigência da documentação original com foto está mais rigorosa. Caso vá retirar a encomenda para terceiros, é obrigatório apresentar autorização formal assinada, acompanhada da cópia do documento do destinatário.
As agências do Rio e da Baixada Fluminense continuam funcionando em horário normal, geralmente das 9h às 17h, de segunda a sexta-feira. Não há interrupção nas entregas domiciliares por conta das buscas realizadas pela Polícia Federal.
Como agir se a sua encomenda for retirada por outra pessoa
Se o código de rastreamento indicar que a sua encomenda foi entregue ou retirada no balcão, mas você não recebeu o produto, o primeiro passo é fazer uma reclamação formal no site oficial da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos ou pelo telefone de atendimento.
Guarde o comprovante de compra, a nota fiscal do produto e o código de rastreio fornecido pela loja. Com esses dados em mãos, vá até uma delegacia da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro para registrar o boletim de ocorrência de estelionato ou furto.
O registro da ocorrência também pode ser feito pela internet, no portal da Delegacia Eletrônica da Polícia Civil. Esse documento é essencial para exigir o ressarcimento do valor investido junto à loja virtual ou aos próprios Correios.
Como denunciar fraudes e crimes postais
Quem souber de esquemas de venda ilegal de produtos desviados ou falsificação de documentos pode colaborar diretamente com as forças de segurança do Estado sem precisar se identificar.
O Disque Denúncia do Rio atende pelo telefone (21) 2253-1177, com funcionamento 24 horas por dia e garantia absoluta de anonimato. Também é possível enviar informações e fotos pelo aplicativo do serviço.
Denúncias sobre crimes federais que envolvem a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos podem ser feitas diretamente à Polícia Federal pelo site oficial ou presencialmente na Superintendência Regional da PF no Rio de Janeiro, localizada na Praça Mauá, no Centro da capital.
Quem responde pelo caso e o que acontece agora
A investigação corre sob sigilo na Polícia Federal. Os presos na Operação Fraus vão responder pelos crimes de associação criminosa, uso de documento falso e furto qualificado mediante fraude. Somadas, as penas podem ultrapassar dez anos de reclusão.
O material apreendido durante as buscas nas residências no Rio e em São Paulo, como telefones, computadores e documentos falsos, passará por perícia técnica. A polícia busca identificar outros integrantes do grupo e descobrir se havia facilitação interna nas agências.
Os Correios declararam que colaboram ativamente com as investigações policiais, fornecendo imagens de circuitos internos de TV e dados de rastreamento para ajudar a mapear a atuação das quadrilhas na região metropolitanas do Rio.
Foto: Metropoles















