Operação fecha 3 ferros-velhos e acha motor furtado em Araruama

Três ferros-velhos clandestinos foram interditados nesta terça-feira em Araruama, na Região dos Lagos, durante uma fiscalização estadual. No local, os agentes encontraram o motor de um carro furtado na capital fluminense e constataram contaminação grave do solo com óleo.

A ofensiva faz parte da Operação Desmonte, força-tarefa coordenada pelo Departamento de Trânsito do Estado do Rio de Janeiro (Detran RJ). Todos os três estabelecimentos funcionavam sem qualquer autorização oficial e vendiam peças sem a etiquetagem exigida por lei para comprovar a procedência.

Fiscalização fecha comércios ilegais na Rodovia Amaral Peixoto

Os pontos fiscalizados ficavam todos instalados às margens da Rodovia Amaral Peixoto (RJ-106). Essa rodovia estadual é o principal corredor viário de ligação entre os municípios da Região dos Lagos, concentrando grande fluxo diário de motoristas, trabalhadores e veículos de carga.

As equipes chegaram aos endereços após o recebimento de denúncias anônimas de moradores e motoristas. Antes de deflagrar as interdições, os fiscais realizaram campanas e monitoramento prévio para mapear a movimentação diária de desmanche, entrada e saída de peças automotivas usadas.

Em um dos galpões fechados, os agentes localizaram o motor de um veículo Volkswagen Gol. Ao checarem os registros no sistema de segurança pública, descobriram que a peça pertencia a um automóvel furtado no ano de 2017, no bairro de Brás de Pina, na Zona Norte do Rio de Janeiro.

Diante da constatação, o responsável pelo ferro-velho acabou levado para a delegacia da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro para prestar depoimento formal. Ele responde sob suspeita do crime de receptação de produto de origem criminosa.

Dano ambiental com óleo derramado no chão

Além da falta de autorização comercial e da peça com registro de furto, a operação flagrou crimes ambientais nos endereços vistoriados. Técnicos do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) participaram da vistoria técnica nos comércios da RJ-106.

Os fiscais do Inea atestaram que pilhas de carcaças e sucatas de carros estavam jogadas diretamente sobre o solo de terra batida, sem nenhuma manta ou piso de concreto para impermeabilização. Havia poças visíveis de óleo de motor e fluidos escorrendo no chão, o que causa contaminação da terra e ameaça o lençol freático que abastece poços artesianos na região.

Os donos dos galpões foram notificados e autuados pelas infrações ambientais. Eles terão de responder administrativamente e também perante a Justiça pelo risco direto de poluição.

O perigo das peças sem rastreamento para o motorista

Para quem precisa consertar o carro e busca economizar comprando peças de segunda mão, estabelecimentos sem registro representam um perigo constante. Peças automotivas usadas só podem ser vendidas no estado do Rio de Janeiro se estiverem devidamente cadastradas, numeradas e acompanhadas de selo rastreável do órgão de trânsito.

A venda de itens sem origem legal alimenta diretamente a cadeia de roubos e furtos praticados em vias públicas do Rio e da Baixada Fluminense. Além disso, amortecedores, eixos, motores e sistemas de freio desmontados sem critérios técnicos não oferecem garantias mecânicas e colocam em risco a vida de motoristas e pedestres nas estradas.

Segundo o Detran RJ, a fiscalização contínua busca tanto retirar de circulação os receptadores de carros roubados quanto orientar quem deseja trabalhar dentro da lei, exigindo o credenciamento das lojas e o descarte correto de materiais poluentes.

Como denunciar ferros-velhos irregulares

A população que mora perto de galpões suspeitos ou desconfia de peças vendidas sem nota pode denunciar de maneira rápida e segura. A Ouvidoria Geral do Estado recebe alertas diretos por meio do portal oficial Ouve RJ, disponível na internet pelo endereço ouverj.rj.gov.br.

Quem preferir repassar informações sobre veículos desmanchados, armazenamento de material roubado ou pontos de receptação também pode recorrer ao Disque Denúncia do Rio de Janeiro. O contato funciona 24 horas por dia pelo telefone (21) 2253-1177, com ligação gratuita e anonimato garantido.

Na Região dos Lagos, informações sobre movimentações ilegais e locais suspeitos de desmanche também podem ser passadas diretamente ao 25º Batalhão de Polícia Militar (Cabo Frio), responsável pelo policiamento de Araruama e cidades vizinhas.

O que fazer se você comprou peça com suspeita de irregularidade

O consumidor que adquirir peças automotivas usadas deve sempre exigir a nota fiscal com a discriminação da peça e a etiqueta com o código de rastreabilidade do Detran RJ. Caso a oficina ou a loja se recuse a emitir os comprovantes, o comprador nunca deve levar o item para casa.

Se você desconfiar que comprou uma peça furtada ou adulterada, não tente se desfazer do material por conta própria. O procedimento correto é procurar a delegacia de polícia mais próxima para registrar a ocorrência e relatar a origem da compra, apresentando comprovantes bancários, recibos e conversas mantidas com o vendedor.

Na internet, ocorrências sem agressão física ou flagrante imediato também podem ser formalizadas pelo portal da Delegacia Online da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, no endereço delegaciaonline.pcrj.rj.gov.br, serviço que atende todo o território fluminense sem necessidade de fila.

Limpatech