Operação Espoliador prende 305 em mais uma fase da megaoperação realizada pela Polícia Civil nesta terça-feira (24), com foco no combate a roubos, latrocínios e receptação em todo o estado do Rio de Janeiro.
A ofensiva tem como objetivo desarticular toda a cadeia criminosa envolvida nesses delitos, atingindo líderes de quadrilhas, executores, colaboradores e receptadores. Segundo as investigações, parte dos crimes é incentivada por traficantes que exploram territórios dominados por facções.
Em coletiva de imprensa, o secretário de Polícia Civil, Felipe Curi, destacou que todas as delegacias do estado participaram da operação, incluindo os departamentos de homicídios. Para ele, o volume de prisões é expressivo por retirar das ruas criminosos considerados de alta periculosidade.
“A pior espécie de criminoso é o ladrão! Ele pega uma arma, vai em direção a vítima, constrange com violência e ameaça, colocando as vezes uma faca, ou uma arma, na cabeça da vítima para subtrair os pertences, que muita das vezes ela ainda está pagando a prestação, é um celular, um carro, um relógio, ou uma a moto, enfim, seja lá o que for, e a qualquer rompante, ele tira a vida dessa vítima. É um criminoso da pior espécie, eu tenho casos na minha família e sei o que é você ter um familiar que foi morto por latrocínio, e por isso que eu falo que é um trabalho muito importante da Polícia Civil”, frisou, em coletiva.
O secretário também criticou a legislação penal brasileira e afirmou que a reincidência preocupa. Segundo ele, cerca de 66% dos 305 presos já tinham passagens anteriores pela polícia.
“Até quando a gente vai ficar com esse retrabalho? Até quando a polícia vai ficar prendendo e esses marginais ficando pouco tempo e saindo da prisão? (…) É importante que haja uma mudança profunda na legislação penal e processual penal brasileira, porque ninguém aguenta mais. A população não aguenta mais ser vítima desses ladrões”, declarou.
Curi ainda ressaltou o papel da receptação na manutenção da cadeia criminosa.
“É o receptador que estimula o ladrão a colocar a arma na cabeça da vítima, do trabalhador, e que em alguns casos acaba matando essa vítima para poder subtrair o bem dela. Então, até quando a gente vai ficar com esse retrabalho sem fim? Até quando a gente vai ficar patinando? Até quando a gente vai ficar sem efetividade no trabalho? Porque o trabalho da polícia é feito, não é falta de polícia, o que nós temos aqui é excesso de impunidade”, afirmou.
Entre os presos está um suspeito de integrar grupo especializado em roubos de veículos, principalmente em São Gonçalo. Ele possui 11 anotações criminais e quatro mandados de prisão em aberto.
Policiais da 35ª DP (Campo Grande) também prenderam dois homens apontados como milicianos que atuavam em Nova Iguaçu. Um deles tem 14 registros criminais e dois mandados pendentes. Segundo a delegada Raissa Celes, a dupla integra a milícia comandada por Gilson Ingrácio de Souza Junior, conhecido como Juninho Varão.
“Ambos estavam na posse de arma de fogo e farta quantidade de munição, além de uma farda operacional. Eram pessoas de guerra da milícia, que faziam a expansão territorial tanto na divisa de Nova Iguaçu, quanto em Campo Grande. Então, isso corrobora o que a gente vem afirmando e provando o alto grau de reincidência de pessoas que ainda estão nas ruas praticando crimes”, declarou.
Outro investigado, com 17 registros criminais, foi localizado na Taquara. Agentes também prenderam Matehus Maia de Azeredo, apontado como executor de homicídios e acusado de matar a produtora cultural Bianca Villaça, em agosto do ano passado, na Zona Oeste.
De acordo com o secretário, uma das facções investigadas concentra cerca de 80% dos roubos de veículos e até 90% dos roubos de carga na capital e na Região Metropolitana.
As equipes seguem nas ruas cumprindo mandados e realizando novas diligências. A operação ainda está em andamento e o número de presos pode aumentar nas próximas horas — ampliando o impacto de uma das maiores ofensivas recentes contra o crime organizado no estado.














