Operação em Campos revela compra de recipientes de pesquisa para tráfico de drogas realizada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) nesta terça-feira (9). A investigação identificou que criminosos adquiriram, em plataformas de comércio on-line, mais de 3,3 milhões de unidades dos chamados eppendorfs, recipientes utilizados originalmente em laboratórios para pesquisas científicas, mas conhecidos no mundo do crime como “pinos” para embalar cocaína.
Conforme as apurações da Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Capital (DRE-CAP) e do MPRJ, a compra em larga escala chamou atenção pela incompatibilidade com o uso regular em pesquisas. Apenas no Rio de Janeiro, 11 usuários foram responsáveis pelas encomendas, movimentando milhões de unidades do material em 2024.
Na ação desta terça-feira, um homem apontado como chefe de facção em Campos dos Goytacazes foi preso em flagrante por posse ilegal de munição. As diligências contaram com suporte técnico do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), do Ministério da Justiça, que produziu relatórios detalhando as compras e ajudou a identificar os envolvidos.
Segundo os investigadores, foi possível mapear 77 usuários em todo o país que adquiriram entre 200 mil e 1,8 milhão de unidades cada, demonstrando a utilização dos recipientes em grande escala pelo tráfico. As evidências coletadas servirão para aprofundar a identificação da cadeia criminosa responsável pela comercialização e distribuição dos insumos.
As autoridades reforçam que a prática não só abastece o tráfico de drogas, como também distorce a finalidade de equipamentos destinados à ciência. As investigações seguem em andamento para responsabilizar os envolvidos e evitar que esse tipo de insumo continue sendo desviado para o crime organizado.














