Sete PMs presos em operação da PF na manhã desta quarta-feira (11) são suspeitos de integrar um esquema que favorecia organizações criminosas no estado do Rio de Janeiro. A ação faz parte da terceira fase da Operação Anomalia, conduzida pela Polícia Federal.
Ao todo, foram cumpridos sete mandados de prisão preventiva contra policiais militares, além de sete mandados de busca e apreensão. A operação teve apoio da Corregedoria da Polícia Militar.
As diligências ocorreram em diversos bairros da Zona Oeste do Rio, incluindo Taquara, Freguesia, Campo Grande e Santa Cruz, além de cidades da Baixada Fluminense, como Nova Iguaçu e Nilópolis.
Segundo a investigação, os policiais usavam a função pública e a estrutura da corporação para beneficiar criminosos ligados ao tráfico de drogas e à milícia.
De acordo com a Polícia Federal, o grupo atuava facilitando a logística de organizações criminosas, oferecendo proteção a traficantes e auxiliando na ocultação de recursos obtidos com atividades ilegais.
Além das prisões, o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou o afastamento imediato dos investigados de suas funções públicas.
Também foi autorizada a quebra do sigilo de dados dos equipamentos eletrônicos apreendidos durante as buscas.
Entre os policiais militares presos estão Ênio Claudio Amâncio Duarte, lotado no 3º BPM (Méier); Leonardo Cavalcanti Marques, do 5º BPM (Praça da Harmonia); Rodrigo Oliveira de Carvalho, do 16º BPM (Olaria); Flávio Cosme Menezes Pereira, do 18º BPM (Jacarepaguá); Ricardo Pereira da Silva, da 1ª UPP do 2º BPM (Santa Marta); Alex Pereira do Nascimento, da 6ª UPP do 3º BPM (São João); e Franklin Ormond de Andrade, da 7ª UPP do 3º BPM (Jacaré).
A defesa de Ricardo Pereira da Silva afirma que o policial é inocente e nega qualquer envolvimento com as acusações.
“Ele não tem participação alguma dos fatos aqui narrados. Ele apenas trabalhava no batalhão que, infelizmente, pertencia a áreas ligadas a tal finalidade. Ele nega as acusações e foi pego de surpresa em casa. Ele tem uma perfeita conduta, tanto que até o presente momento nunca teve nada que comprometesse sua conduta como PM, nunca teve processo administrativo”, afirmou o advogado João Amorim.
A reportagem não conseguiu contato com a defesa dos demais investigados. O espaço permanece aberto para manifestações.
A Operação Anomalia é conduzida pela Força-Tarefa Missão Redentor II, que atua no combate a organizações criminosas envolvidas com tráfico de drogas, armas e lavagem de dinheiro.
Segundo a Polícia Federal, o objetivo da investigação é desarticular estruturas que ligam integrantes do crime organizado a agentes públicos.
Os investigados poderão responder pelos crimes de organização criminosa, corrupção ativa e passiva e lavagem de capitais.
Todo o material apreendido durante as buscas será analisado pelos investigadores para identificar outros possíveis envolvidos no esquema.
Em nota, a Polícia Militar informou que os agentes serão submetidos a processos administrativos disciplinares para avaliar a permanência deles nos quadros da corporação.
Os policiais presos foram encaminhados para a Unidade Prisional da Polícia Militar, em Niterói, onde permanecerão à disposição da Justiça.
O comando da PM afirmou ainda que não tolera desvios de conduta e que eventuais irregularidades cometidas por integrantes da corporação serão investigadas e punidas.
A Operação Anomalia já havia registrado outras prisões nos últimos dias.
Na primeira fase da investigação, realizada na segunda-feira (9), o delegado da Polícia Federal Fabrízio Romano foi preso por suspeita de envolvimento em um esquema que negociava vantagens indevidas para favorecer um traficante internacional.
Na segunda fase da operação, realizada na terça-feira (10), o delegado Marcos Henrique Oliveira Alves e outros dois policiais civis também foram presos.
Segundo a investigação, eles são suspeitos de utilizar a estrutura do Estado para extorquir integrantes do Comando Vermelho e praticar crimes como corrupção e lavagem de dinheiro.
Com a nova fase da operação, as autoridades buscam aprofundar a investigação sobre possíveis conexões entre agentes públicos e organizações criminosas que atuam no estado.














