Operação da PF encontra fábrica clandestina de cigarros no Rio

Galpão de produção de cigarros ilegais

Uma operação da PF encontra fábrica clandestina de cigarros em Vigário Geral, na Zona Norte do Rio de Janeiro, nesta segunda-feira (12). A ação integra um desdobramento das investigações sobre lavagem de dinheiro e comércio ilegal de produtos falsificados. No local, agentes federais descobriram 26 trabalhadores, sendo 22 paraguaios, em situação análoga à escravidão. As informações são do RJTV, da TV Globo.

O galpão contava com maquinário industrial, insumos para produção em larga escala e estrutura completa de uma linha de montagem de cigarros ilegais. Segundo a Polícia Federal, o espaço operava de forma oculta, com forte controle de entrada e saída. O local foi lacrado no início da tarde e todo o material encontrado será levado para análise pericial.

Os trabalhadores resgatados foram conduzidos para a sede da Polícia Federal, na Região Central do Rio, em duas vans, escoltadas por agentes da Polícia Civil. A investigação vai apurar em que condições os estrangeiros eram mantidos no país, além de identificar os responsáveis pelo aliciamento e transporte dessas pessoas.

Ainda conforme o RJTV, a PF acredita que a fábrica clandestina tem ligação direta com o contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho. Ele já foi alvo de outras investigações envolvendo a chamada máfia dos cigarros e, em março deste ano, teve mandado de prisão expedido por envolvimento com o esquema, mas ainda segue foragido.

Dos 26 trabalhadores encontrados, quatro são brasileiros. Eles foram presos sob suspeita de exercerem funções de supervisão e gerência no funcionamento da fábrica. Os demais, todos paraguaios, serão ouvidos pelas autoridades e encaminhados a órgãos competentes para garantir seus direitos, incluindo a possibilidade de repatriação.

A fábrica clandestina ocupava um galpão com equipamentos modernos, apontando para uma operação estruturada e com capacidade de grande produção. A presença de trabalhadores em condições degradantes levanta suspeitas de aliciamento e tráfico de pessoas, crimes que podem agravar o inquérito em andamento.

A PF também apura a origem dos materiais utilizados na produção dos cigarros, que seriam distribuídos no comércio informal em diferentes bairros do Rio e da Baixada Fluminense. A mercadoria falsificada representa prejuízo à arrecadação fiscal e coloca em risco a saúde pública, por não seguir normas sanitárias.

A operação faz parte de uma ofensiva nacional para desmantelar grupos que atuam na produção e distribuição de cigarros ilegais. O Rio de Janeiro tem sido um dos estados com maior incidência desse tipo de crime, segundo dados de apreensões da Receita Federal e das polícias.

O caso deverá ser encaminhado ao Ministério Público Federal, que poderá oferecer denúncia por crimes como falsificação, formação de quadrilha, trabalho análogo à escravidão, contrabando e tráfico de pessoas. O nome do contraventor Adilsinho segue no topo da lista de procurados pelas forças de segurança.

A Polícia Federal afirma que novas diligências podem ser feitas nos próximos dias, com foco em identificar outros locais de produção clandestina e desarticular toda a cadeia de distribuição dos produtos ilegais. Ainda não há confirmação oficial sobre quando os trabalhadores paraguaios serão ouvidos formalmente ou encaminhados a abrigos.

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