A fábrica clandestina de armas investigada pela Delegacia Especializada em Armas, Munições e Explosivos (Desarme) foi alvo de uma operação deflagrada nesta quinta-feira em dois estados. A ação mobilizou equipes no Rio de Janeiro e no Paraná para cumprir mandados de busca e apreensão relacionados a um esquema de fabricação artesanal e comércio ilegal de armas de fogo, munições e acessórios bélicos.
O trabalho avançou após a análise de dados extraídos de celulares e computadores apreendidos em uma fase anterior da investigação. Segundo os agentes, o grupo atuava em diferentes regiões do estado do Rio, incluindo a capital, a Baixada Fluminense — como Nova Iguaçu, Japeri e Belford Roxo — e Teresópolis, na Região Serrana. No Paraná, os policiais também cumpriram ordens judiciais em Curitiba.
”O Rio está combatendo com firmeza o crime organizado e tudo que o alimenta. Essa operação mostra que não estamos apenas prendendo traficantes, mas cortando as fontes que abastecem o poder bélico das facções. Cada arma apreendida é um passo a mais para devolver a paz às comunidades”, afirmou o governador Cláudio Castro (PL).
De acordo com os investigadores, o grupo mantinha negociações frequentes e articuladas envolvendo armas de uso permitido e restrito, além de insumos para recarga e montagem de munições. As trocas de mensagens e registros financeiros mostram que havia lucro que variava entre 100% e 150% por venda. Para escoar o material, os criminosos recorriam a transportadoras privadas, com orientações específicas para esconder o conteúdo e impedir a identificação do remetente.
As equipes identificaram pontos de produção e depósitos onde eram mantidas peças, ferramentas, equipamentos e insumos utilizados para fabricar munições e montar fuzis e metralhadoras artesanais. Parte desse armamento, segundo a polícia, era distribuída a terceiros envolvidos em atividades criminosas.
Na terça-feira, outra ação relacionada à investigação levou à apreensão de 30 pistolas que seriam enviadas para o Complexo do Alemão, reduto do Comando Vermelho. As armas eram transportadas por uma mulher que estava em um ônibus, com o material escondido dentro de almofadas, quando foi detida.














