A Polícia Civil do Rio revelou nesta quinta-feira (18) que integrantes de torcidas organizadas utilizavam códigos secretos em redes sociais para marcar confrontos pela cidade. A informação foi divulgada durante coletiva na Cidade da Polícia, após operação que cumpriu 39 mandados de busca e apreensão contra suspeitos de homicídios, roubos e outros crimes.
Conforme o delegado Álvaro Gomes, titular da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco/IE), um dos termos identificados foi Pas nos estádios. No início pensamos que era um erro de digitação, mas depois vimos que significava Pelotão de Assalto Surpresa. Quando uma torcida usava o código em um endereço e outra respondia, o local se tornava palco de briga, explicou.
Além das mensagens codificadas, a investigação apontou que torcedores também produziam imagens com inteligência artificial mostrando mascotes de rivais ensanguentados e trocavam informações sobre quais camisas deveriam ou não ser usadas em determinados locais. Segundo a polícia, os grupos se reuniam em pontos estratégicos antes de partir para as agressões.
A operação desta quinta resultou na prisão em flagrante de um torcedor do Botafogo por posse ilegal de arma, além da apreensão de fuzis, explosivos e materiais de torcidas. Um homem morreu em confronto com os agentes na Ilha do Governador, e outro foi preso. A ação não é contra as torcidas, mas contra criminosos que se escondem atrás delas para cometer delitos graves, como homicídios, lesões e roubos, reforçou Gomes.
O subcomandante do Bepe, tenente-coronel Guilherme, destacou que dentro dos estádios o número de confrontos caiu, mas que a violência tem migrado para ruas e arredores. Ele defendeu o uso de tecnologia, como reconhecimento facial, e maior colaboração dos clubes para identificar envolvidos.
Os recentes episódios de violência entre torcidas reforçam a preocupação das autoridades. Em menos de 48 horas, dois homens morreram em decorrência de brigas ligadas a organizadas no Rio, incluindo um vascaíno baleado antes do clássico com o Botafogo e um torcedor do Olaria morto próximo ao Estádio Nilton Santos. Na última terça-feira (16), a Justiça suspendeu a Torcida Jovem do Flamengo de eventos esportivos por dois anos após tumultos registrados em agosto.














