Operação em Belford Roxo mira golpe do falso filho que tirou R$ 2,9 mil

A Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão em Belford Roxo, na Baixada Fluminense, nesta terça-feira (22). A ação mira uma mulher investigada por aplicar o golpe do falso familiar pelo aplicativo de mensagens WhatsApp.

A Operação Impostor foi desencadeada por agentes da Delegacia de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCI). A apuração começou após uma vítima perder R$ 2.979,43 ao acreditar que estava transferindo dinheiro para o próprio filho.

Polícia Civil faz operação em Belford Roxo contra o golpe do falso filho

Segundo a Polícia Civil, os criminosos usaram a foto e o nome do filho da vítima para criar um perfil falso na rede. A pessoa mandou mensagens dizendo que precisava pagar contas com urgência e pediu transferências financeiras pelo celular.

A vítima acreditou no pedido de ajuda e fez os pagamentos que somaram quase R$ 3 mil. Quando percebeu que havia caído em uma fraude, procurou a delegacia para registrar o boletim de ocorrência.

Os agentes da DRCI iniciaram o rastreamento do dinheiro e das informações digitais. A equipe analisou dados bancários das contas que receberam os valores, registros de conexão, endereços de IP e números telefônicos usados na ação criminosa.

O cruzamento dessas informações levou até uma linha telefônica e um celular cadastrados no nome de uma moradora de Belford Roxo. Com esses indícios, a Justiça autorizou o cumprimento de mandados de busca na residência da investigada.

Como funciona a fraude do número novo no aplicativo

O golpe do falso familiar se tornou frequente no Rio de Janeiro e na Baixada Fluminense. Os estelionatários conseguem fotos de parentes em redes sociais abertas e salvam o nome das pessoas para criar contas novas no aplicativo.

Em seguida, eles mandam mensagem para mães, pais ou avós dizendo que mudaram de número de telefone. Alegam que o celular antigo quebrou ou que precisaram trocar de aparelho às pressas para gerar comoção.

Logo depois do primeiro contato, o falso parente pede um pagamento emergencial. Ele afirma que o aplicativo do seu banco ainda não está cadastrado no telefone novo e promete devolver o dinheiro no dia seguinte.

A orientação das autoridades é nunca fazer transferências antes de falar com a pessoa por ligação telefônica normal ou por chamada de vídeo. Se o familiar não atender, procure contato com outro parente próximo para confirmar a história.

Números alarmantes dos crimes virtuais no país

Os dados sobre estelionato digital mostram a dimensão do problema no cotidiano dos brasileiros. As ligações e mensagens de texto continuam sendo a principal porta de entrada para os estelionatários criarem laços com as vítimas.

O Anuário Brasileiro de Segurança Pública revelou que as ligações telefônicas e contatos diretos correspondem a 53% das tentativas de golpe no país. A facilidade do envio de valores por Pix acelerou o desfecho financeiro das fraudes.

Segundo pesquisas do setor de segurança, cerca de 15,8% da população com mais de 16 anos já perdeu dinheiro com algum golpe digital no último ano. Isso representa mais de 26 milhões de pessoas lesadas em todo o território nacional.

Os prejuízos anuais com estelionato digital passam da casa dos bilhões de reais. No estado do Rio, a Polícia Civil reforçou as equipes especializadas para rastrear as contas de passagem usadas pelos criminosos para lavar o dinheiro roubado.

O que fazer se você foi vítima do golpe

Quem passa por essa situação precisa agir rápido para tentar reaver o valor pago. O primeiro passo é entrar em contato imediato com o seu banco e informar que foi vítima de estelionato.

Peça o acionamento do Mecanismo Especial de Devolução (MED), que é uma ferramenta do Banco Central para bloquear dinheiro de fraudes na conta do destinatário. Quanto mais rápido o aviso, maior a chance de bloqueio do saldo.

Guarde todas as provas possíveis do crime. Tire fotos da tela com as conversas do aplicativo, guarde o número de telefone do golpista, anexe os comprovantes de envio do Pix e anote a chave utilizada.

Faça o registro da ocorrência policial na Delegacia Eletrônica da Polícia Civil do Rio de Janeiro ou vá até a delegacia do seu bairro. O boletim é essencial para que a polícia peça a quebra de sigilo bancário e identifique os recebedores.

Como denunciar e evitar o prejuízo

A população pode colaborar com as investigações policiais enviando informações sobre locais usados por quadrilhas de estelionato ou sobre pessoas que alugam contas bancárias para receber dinheiro de crime.

As denúncias podem ser feitas diretamente ao Disque Denúncia do Rio de Janeiro pelo telefone 2253-1177. O atendimento funciona 24 horas por dia e o sigilo do denunciante é absolutamente garantido.

Também é possível registrar reclamações sobre linhas telefônicas usadas para aplicar golpes na Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), pelo telefone 1331 ou pelo aplicativo oficial da agência.

As investigações da DRCI na Baixada Fluminense continuam. Os policiais analisam o material apreendido nos endereços de Belford Roxo para identificar se existem outros integrantes na quadrilha e se mais moradores da região foram lesados pela mesma investigada.

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