Ônibus no Rio de Janeiro terão pintura padronizada novamente

Novos ônibus do BRT

A Prefeitura do Rio de Janeiro confirmou que os ônibus da cidade voltarão a adotar uma pintura padronizada. A mudança acompanha o novo processo de licitação que substituirá os quatro consórcios atuais por 31 lotes, divididos entre linhas estruturais e locais. A intenção é padronizar não apenas a operação, mas também a aparência dos veículos, retomando o modelo adotado em 2010.

Segundo o prefeito Eduardo Paes, desta vez o visual será mais perceptível e até propositalmente chamativo. Durante coletiva realizada no Centro de Operações Rio (COR), ele comentou que, em seu governo anterior, a padronização não agradou por ser discreta demais. “Quero prometer aqui àqueles que têm dificuldade de enxergar cores à noite, que eu farei uma uniformização um pouco menos discreta do que a uniformização que fiz no meu outro governo, que ninguém conseguia identificar aquela ‘listrinha’. Então vamos fazer um negócio com algum grau de cafonice também, para manter o padrão lata de azeite”, afirmou o prefeito.

A padronização já havia sido aplicada em 2010, quando os consórcios receberam cores distintas: amarelo para o Intersul, verde para o Internorte, azul para o Transcarioca e vermelho para o Santa Cruz. No entanto, durante a gestão de Marcelo Crivella, a regra foi flexibilizada e as empresas puderam voltar a usar suas próprias cores, desde que os coletivos tivessem ar-condicionado.

Agora, a nova licitação exigirá novamente uma identidade visual única para todos os veículos. Os detalhes sobre a padronização ainda serão definidos por uma resolução da Secretaria Municipal de Transportes (SMTR), mas já se sabe que os novos ônibus precisarão ser envelopados conforme normas específicas. A frota também passará por uma série de modernizações técnicas.

Além da padronização visual, todos os cerca de 5 mil novos ônibus terão ar-condicionado e serão equipados com seis painéis de LED — cinco externos e um interno — para informar os passageiros sobre o itinerário. Também será instalado um velocímetro visível ao público no interior dos veículos, permitindo acompanhar a velocidade em tempo real. Todos os modelos contarão com motor traseiro e piso baixo, com exceção dos microônibus e veículos midi, que manterão o piso alto.

A reformulação do sistema vai além da estética. Os quatro consórcios atuais serão substituídos por 31 lotes, divididos conforme o Índice de Qualidade do Transporte (IQT) elaborado pela prefeitura. Serão 22 lotes estruturais, com linhas que conectam diferentes bairros, e 9 lotes locais, com trajetos concentrados em áreas menores. A avaliação aponta a Zona Oeste como a região com pior desempenho e a empresa Transportes Paranapuan, da Ilha do Governador, como a de menor qualidade.

O processo licitatório será dividido em cinco fases até 2028, quando expira o contrato atual. A primeira etapa contemplará Campo Grande e Santa Cruz, incluindo um lote estrutural e dois locais. Atualmente, essas áreas contam com 199 ônibus, número que deverá saltar para 680 veículos com os novos operadores. A idade média da frota carioca hoje é de 6,7 anos, com 4.085 ônibus licenciados em circulação.

Com a padronização e a modernização da frota, a prefeitura espera melhorar a percepção visual, aumentar a segurança e promover uma experiência mais confortável para os usuários. A mudança, segundo o governo municipal, é uma resposta direta às reclamações sobre falta de identificação dos veículos e à necessidade de reorganização do transporte público.

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