Obstrução da oposição ameaça paralisar o Congresso caso anistia não avance

Obstrução da oposição ameaça paralisar o Congresso

A obstrução da oposição volta a ganhar força na Câmara dos Deputados após a prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro. O líder do PL, Sóstenes Cavalcante, anunciou que o bloco não participará de votações até que o projeto de anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro seja colocado em pauta no plenário. Segundo ele, a intenção é retomar a discussão sobre o texto original, considerado mais abrangente pela ala bolsonarista. Cavalcante afirmou ainda que buscará uma reunião com o presidente da Casa, Hugo Motta, para tentar destravar o impasse.

Bolsonaro foi preso no sábado por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. A detenção reacendeu o debate interno sobre o alcance da anistia. Para a oposição, a versão inicial poderia beneficiar diretamente o ex-presidente, o que aumentou a pressão para que a matéria avance o quanto antes.

Esta não é a primeira vez que parlamentares da oposição recorrem ao bloqueio das votações em defesa da anistia. Em agosto, após a decretação da prisão domiciliar de Bolsonaro, bolsonaristas ocuparam o plenário exigindo a apreciação do projeto. Na ocasião, um acordo permitiu que o regime de urgência fosse aprovado, abrindo caminho para que o texto pudesse ser votado diretamente no plenário, sem passar pelas comissões.

A responsabilidade de conduzir a proposta ficou com o deputado Paulinho da Força, que modificou a redação. Em vez de anistia ampla, o projeto passou a tratar apenas da redução de penas e da possibilidade de liberdade para participantes das manifestações. Com essa mudança, Bolsonaro poderia ter apenas a pena amenizada, sem chance de evitar uma eventual prisão. A versão, apelidada de PL da Dosimetria, não avançou desde então.

O novo anúncio de obstrução surge em um momento considerado sensível dentro do Congresso. O Orçamento de 2026 precisa ser votado antes do recesso de dezembro para impedir o congelamento de investimentos federais e evitar atrasos no pagamento de emendas, especialmente em um ano eleitoral. Com a ameaça de paralisação liderada pelo PL, cresce a apreensão de que o bloqueio político se transforme também em bloqueio orçamentário, ampliando as tensões entre governo e oposição no fim do ano legislativo.

Limpatech