Obras da Leopoldina são suspensas após denúncia trabalhista

Antiga Estação da Leopoldina

As obras da Leopoldina, que integram um grande projeto de revitalização da antiga estação ferroviária no Centro do Rio, foram paralisadas nesta semana após denúncias envolvendo irregularidades trabalhistas. A empresa responsável pela restauração, a Concrejato, deixou de receber os repasses da Prefeitura do Rio após suspeitas de que estaria colocando operários em risco.

A intervenção no prédio histórico, localizado na Avenida Francisco Bicalho, teve início há cerca de um ano e tem previsão de conclusão para o segundo semestre de 2026. O espaço, que já abrigou a Estação Barão de Mauá, será transformado em um complexo com barracões da Série Ouro, moradias populares, centro de convenções e serviços sociais.

Prefeitura interrompe pagamentos e avalia trocar empresa

Em nota publicada nas redes sociais, o prefeito Eduardo Paes confirmou a suspensão dos pagamentos à empresa e mencionou o histórico de acidentes envolvendo a Concrejato, incluindo o desabamento da ciclovia da Avenida Niemeyer, que resultou em duas mortes.

“A empresa Concrejato/Concremat tem um histórico de graves acidentes em suas obras (…) Ou a Concrejato/Concremat passa a cumprir as leis e respeita a vida, ou as obras continuarão com outra empresa!”, declarou o prefeito.

O governo municipal não informou o valor que deixou de ser repassado, mas garantiu que o projeto segue como prioridade. A prefeitura assinou recentemente um contrato com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para reestruturação da proposta de revitalização do local.

Antiga estação vai virar polo cultural e habitacional

Construída em 1926 e tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a estação foi desativada em 2002. Seu terreno, com cerca de 125 mil metros quadrados, foi transferido para o município após acordo com o Governo Federal, oficializado em maio de 2024.

No local, serão construídos a nova Cidade do Samba 2, para abrigar os barracões das escolas da Série Ouro, além de empreendimentos habitacionais do programa Minha Casa Minha Vida. Também estão previstos um centro de convenções e novos equipamentos públicos voltados à população da região.

A pedra fundamental do novo espaço foi lançada em agosto de 2024, marcando simbolicamente o início das intervenções no terreno. A prefeitura afirma que pretende manter o cronograma, desde que a empresa responsável cumpra as obrigações legais.

Concrejato ainda não se pronunciou

Até o momento, a Concrejato não se manifestou sobre a suspensão dos repasses ou sobre as denúncias trabalhistas. O espaço segue aberto para posicionamento da empresa.

A prefeitura informou que seguirá com a apuração interna e não descarta rescindir o contrato, caso os problemas sejam confirmados. O projeto é considerado um dos pilares do processo de transformação urbana da Região Central do Rio, e a expectativa é de que as obras sejam retomadas o quanto antes, com segurança e legalidade garantidas.

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