A COP30 terminou, Belém voltou ao seu ritmo cotidiano e os líderes globais partiram deixando para trás não apenas acordos e discursos, mas uma reflexão poderosa sobre o papel do turismo em um mundo que discute — e cobra — sustentabilidade com seriedade.
Para nós que vivemos o turismo no dia a dia, a COP30 não foi apenas um evento diplomático: foi um termômetro das expectativas internacionais sobre o Brasil e, sobretudo, um recado claro de que o setor turístico entrou de vez na pauta climática.
Visibilidade global: o Brasil virou vitrine
Durante a conferência, as lentes internacionais estiveram voltadas para a Amazônia. E quando o Brasil vira vitrine, o turismo vira porta de entrada.
Houve um aumento expressivo de buscas por destinos amazônicos, turismo de natureza, experiências culturais e roteiros comunitários. O interesse existe — e agora cabe ao país garantir que essa curiosidade se transforme em visitação qualificada.
O Rio também surfou essa onda. Não pela geografia amazônica, mas porque, quando o debate é sobre sustentabilidade, cidades icônicas passam a ser comparadas. Quem promete ser destino global precisa comprovar que tem estrutura, mobilidade, segurança e coerência entre discurso e prática.
A cobrança por sustentabilidade chegou de vez
Se nas COPs anteriores sustentabilidade no turismo parecia discurso distante, nesta edição virou exigência.
Operadoras, receptivos, hotéis e atrativos viram crescer a demanda por informações sobre emissão de carbono, redução de plástico, compensações ambientais, contratação de mão de obra local e impacto sobre comunidades.
É um recado direto: quem não se alinhar, fica para trás.
Para o Rio, isso significa mais responsabilidade — especialmente uma cidade que vive entre suas belezas naturais e seus desafios sociais. O visitante consciente quer saber se o destino promove inclusão, respeita o território e preserva o que vende.
Belém mostrou o desafio da infraestrutura — e o alerta vale para todos nós
A cidade-sede ganhou investimentos, teve picos de ocupação, viveu um boom econômico — mas também enfrentou gargalos clássicos: hospedagem inflada, mobilidade pressionada, serviços saturados.
Isso escancara algo que já vimos no Rio com grandes eventos:
Se o legado não é contínuo, o impacto vira apenas pontual.
É exatamente essa a diferença entre evento e desenvolvimento.
Para o turismo funcionar, não basta iluminar a cidade durante a conferência — é preciso melhorar a cidade para além dela.
Oportunidades para o turismo brasileiro — se soubermos aproveitar
O pós-COP30 deixa três caminhos evidentes:
1. Turismo de natureza e comunitário vai crescer
A busca global por experiências autênticas e sustentáveis aumentou. A Amazônia se fortaleceu como destino desejado.
2. Países e empresas querem investir em projetos sustentáveis
E muitos desses projetos são justamente de turismo, economia criativa e preservação.
3. O Brasil voltou ao radar internacional
Agora existe uma expectativa real — e cobrança — para que o país lidere a pauta de turismo sustentável na América Latina.
E o Rio de Janeiro nisso tudo?
O Rio precisa parar de olhar apenas para o próprio umbigo e entrar nessa nova fase.
Temos um patrimônio natural incrível, uma marca global e uma potência cultural que poucas cidades do mundo possuem. Mas precisamos:
De políticas públicas que dialoguem com o turismo moderno;
De práticas sustentáveis reais e não apenas slogans;
De segurança e organização urbana compatíveis com a expectativa do visitante internacional;
De produtos turísticos que reflitam a cidade que queremos ser — não só a que vendemos.
O pós-COP30 é um convite para o Rio se reposicionar. E, para nós que fazemos turismo, é a chance de liderar essa virada de chave.
Bruno Mann é empresário e CEO da Brazil Connection Turismo Receptivo
*Este artigo reflete exclusivamente a opinião do autor. O conteúdo não representa, obrigatoriamente, a linha editorial do Jornal O Povo na Rua.














