Novo operador dos trens no Rio propõe volta da guarda ferroviária

Trem da SuperVia

A volta da guarda ferroviária voltou ao debate público após o novo operador do sistema de trens urbanos do Rio de Janeiro defender a recriação desse modelo de segurança. O consórcio vencedor do leilão judicial assumirá a malha que conecta a capital a outros 11 municípios da Região Metropolitana.

O Consórcio Nova Via Mobilidade foi declarado vencedor da disputa em decisão da 6ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio. Com a validação da documentação, o grupo deverá assinar contrato com o governo estadual nos próximos dias.

A previsão é que, em meados de março, tenha início um período de gestão assistida ao lado da atual concessionária. A transição terá duração de 90 dias, quando então a nova permissionária assumirá integralmente o sistema, que transporta cerca de 300 mil passageiros por dia.

A malha ferroviária é formada por cinco ramais e três extensões, totalizando aproximadamente 270 quilômetros de trilhos e 104 estações. Parte desse trajeto cruza áreas com forte influência do crime organizado.

Segundo representantes do consórcio, a prioridade inicial será elevar o padrão do serviço, com foco especial na segurança. Dados da agência reguladora mostram que, apenas nos dez primeiros meses do ano passado, centenas de viagens foram canceladas ou interrompidas por episódios de violência, como tiroteios, furtos de cabos e vandalismo.

Durante audiência judicial, o vice-presidente de relações institucionais e governamentais do grupo defendeu a volta da guarda ferroviária, modelo que já existiu na década de 1970. A proposta prevê custos compartilhados entre o governo estadual e as prefeituras dos municípios atendidos.

“A segurança é realmente uma prioridade, trabalhando com o governo estadual, o governo municipal, trazendo, inclusive, a guarda ferroviária. Voltar com essa guarda ferroviária que já existiu (nos anos 70) é uma ação muito importante. Daria muito mais segurança para o processo”, afirmou.

Além do reforço na segurança, a nova gestão promete reduzir intervalos entre trens, aumentar a velocidade média das composições e realizar ajustes na grade horária, caso necessário. O governo estadual afirma já possuir diagnóstico técnico das principais falhas do sistema.

Entre os desafios estão a modernização da frota, que ainda inclui composições antigas, e o enfrentamento da evasão de receita, já que milhares de passageiros utilizam diariamente o serviço sem pagar passagem.

A fase de transição será decisiva para mostrar como a proposta de reforço na segurança e a volta da guarda ferroviária poderão impactar a rotina de milhares de usuários — um tema que deve continuar no centro das discussões nos próximos meses.

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