Governo Tarcísio Dá Início à Demolição de Imóveis para Nova Sede Administrativa em São Paulo
A gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos) deu um passo significativo rumo à construção da nova sede do governo paulista com o início das demolições em terrenos próximos ao Parque Princesa Isabel, na região central de São Paulo. Três edifícios localizados na Rua Helvétia e na Alameda Barão de Piracicaba foram demolidos nesta quarta-feira (12/8), com os trabalhos continuando no dia seguinte.
As demolições foram executadas pela empresa Habitem, contratada pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU). Curiosamente, estas ações ocorreram antes mesmo da assinatura do contrato oficial com o consórcio MEZ-RZK, que será o responsável pela construção da futura sede administrativa do governo. O contrato com o consórcio, no entanto, prevê que a própria concessionária seja a responsável pelas demolições na área.
A gestão Tarcísio foi questionada pelo Metrópoles sobre o motivo da contratação da Habitem para realizar as demolições em vez do consórcio MEZ-RZK, mas não forneceu resposta para essa pergunta específica. As informações foram divulgadas pelo Metrópoles.
Imóveis Desapropriados e Lacrados por Risco de Crime Organizado
Em nota oficial, a CDHU esclareceu que os edifícios demolidos já haviam sido desapropriados e que a posse dos terrenos foi transferida para o Estado. Segundo a gestão estadual, os imóveis foram lacrados em 2024, após uma operação do Ministério Público de São Paulo (MPSP) na região. Na época, as investigações apontaram que os locais eram utilizados pelo crime organizado.
A CDHU afirmou que os serviços estão sendo realizados de forma programada, seguindo todos os procedimentos técnicos e de segurança necessários. Os trabalhos estão sob a orientação da Secretaria de Projetos Estratégicos.
Lista de Demolições e Vistorias Cautelares com Moradores
A reportagem apurou que existe uma lista elaborada pela CDHU com 67 imóveis destinados à demolição pela Habitem. Todos esses imóveis estão localizados nos quarteirões onde serão erguidos os prédios da nova sede administrativa do governo. Funcionários da Habitem e da própria CDHU têm contatado os moradores da região para realizar vistorias cautelares em suas residências.
O objetivo dessas vistorias, conforme explicado pelos funcionários, é registrar o estado atual das casas. Isso visa garantir que os moradores sejam devidamente indenizados caso ocorram danos em seus imóveis durante os trabalhos de demolição nas proximidades.
Preocupação dos Moradores com a Segurança e o Futuro do Bairro
Odair Paulo Tognon, subsíndico do Edifício Henrique, localizado na Avenida Rio Branco, relatou que o prédio onde ele reside foi um dos procurados para a vistoria pré-demolição. Ele expressou preocupação com a falta de informações sobre os próximos passos da obra e teme o impacto das demolições no bairro.
“Imagina o que vai ser de nós convivendo com os destroços, com regiões abandonadas e com os dependentes químicos ficando ali”, desabafou o morador. Como já noticiado anteriormente, dependentes químicos e pessoas em situação de rua frequentemente se abrigam em imóveis e terrenos abandonados em áreas onde projetos de revitalização não avançaram.
Apesar de não constar na lista atual de demolições, o Edifício Henrique, onde Odair mora, também está previsto para ser derrubado para dar lugar à futura sede do governo.














