Neguinho da Beija-Flor deve se filiar ao PT do Rio e pode ser candidato ao Senado

Neguinho da Beija-Flor

O PT do Rio de Janeiro prepara a filiação de Neguinho da Beija-Flor, que desponta como o nome favorito de uma das principais alas do partido para disputar o Senado nas eleições de 2026. A iniciativa, porém, evidencia a divisão interna entre os petistas fluminenses, já que outro grupo apoia a deputada federal Benedita da Silva, veterana que pretende concorrer pela última vez. Enquanto Benedita já percorre cidades em busca de apoio, o nome do sambista tem sido testado em pesquisas internas com resultados considerados animadores.

A ideia de lançar Neguinho como candidato foi apresentada pelo prefeito de Maricá e vice-presidente nacional do PT, Washington Quaquá. O filho dele, Diego Zeidan, que preside o diretório estadual do partido, confirmou que o evento de filiação está sendo planejado. O sambista, que se aposentou da Marquês de Sapucaí no último Carnaval após cinco décadas como voz oficial da Beija-Flor de Nilópolis, ainda é filiado ao PL desde 2013, antes de a legenda se tornar símbolo do bolsonarismo.

O partido também estuda promover um encontro entre Neguinho e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A reunião poderia ocorrer durante a passagem de Lula pelo Rio, nesta terça-feira (15), para o evento do Dia dos Professores, mas o sambista está em Portugal com Quaquá, que cumpre agenda voltada a captação de investimentos para Maricá. Dentro do PT-RJ, a avaliação é de que o nome de Neguinho tem grande apelo popular e pode ampliar o alcance eleitoral do partido no estado.

Neguinho é um cara extremamente popular, que fura a bolha da esquerda e dialoga diretamente com o povo. Para derrotar o bolsonarismo no estado, precisamos de candidatos amplos. Não podemos cometer o erro cometido em 2022, que restringiu a esquerda a apenas 30% do eleitorado, afirmou Diego Zeidan, em entrevista.

Antes de defender o nome do sambista, Quaquá chegou a declarar apoio a Alessandro Molon, do PSB, outro cotado pela esquerda para o Senado. Agora, o discurso entre os aliados do prefeito de Maricá é de que ambos podem concorrer. Para essa ala, Neguinho representaria uma figura capaz de conquistar votos fora da bolha progressista — uma espécie de “Romário da esquerda”, em referência ao ex-jogador que venceu as eleições de 2022 mesmo com candidatos bolsonaristas fortes na disputa.

Em nota oficial, a corrente majoritária do partido no estado, a Construindo um Novo Brasil na Favela (CNB Favela), reforçou o apoio ao nome do sambista. Precisamos de candidatos que dialoguem para fora das universidades, da classe média e da Zona Sul. Neguinho é um quadro extremamente popular e que dialoga diretamente com o povo. Filho da periferia e da cultura popular, ele é reconhecido por todos e tem potencial para atrair apoio de outros campos políticos, diz o texto, assinado por Zeidan e outros 11 dirigentes locais. No mesmo documento, o grupo reafirma também o apoio à candidatura de Eduardo Paes (PSD) ao governo estadual.

Enquanto isso, Benedita da Silva fortalece sua pré-campanha com o respaldo de nomes de peso dentro do PT, como Marcelo Freixo, presidente da Embratur; Anielle Franco, ministra da Igualdade Racial; Lindbergh Farias, líder do partido na Câmara; e Tainá de Paula, secretária de Meio Ambiente e Clima da prefeitura do Rio. Nos últimos dias, Benedita tem percorrido municípios como Duque de Caxias e Petrópolis para mobilizar dirigentes e militantes.

Em agosto, durante um evento, o próprio Lula fez uma fala que foi interpretada como um aceno à candidatura da deputada. Eu não sei o que vai acontecer com a Benedita, não sei o que ela quer ser, mas uma coisa eu vou dizer para vocês: se essa “negona” for senadora, é a mais bonita senadora deste país, a mais forte representação negra deste país, declarou o presidente.

Entre aliados de Benedita, há quem veja a movimentação de Quaquá como uma tentativa de enfraquecer sua candidatura. Outros, porém, acreditam que o debate interno faz parte do processo natural de definição. A decisão final sobre quem representará o partido no Senado caberá à executiva estadual, por meio de votação.

Nas eleições de 2022, a esquerda fluminense se dividiu entre Alessandro Molon (PSB) e André Ceciliano (PT). A fragmentação favoreceu a reeleição de Romário (PL), que liderou a disputa. Somados, os votos dos dois candidatos progressistas teriam superado os do ex-jogador, cenário que agora o PT tenta evitar com uma escolha unificada.

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