Naldinho, aliado de Beira-Mar, ordenou retaliação a policiais do Rio de dentro da prisão

Naldinho, Aliado de Beira Mar

Um dos principais articuladores do Comando Vermelho, Naldinho, aliado de Beira-Mar, é apontado pelas investigações como o responsável por ordenar de dentro da prisão a retaliação contra policiais no Rio de Janeiro, após a megaoperação nos complexos do Alemão e da Penha.

Arnaldo da Silva Dias, conhecido como Naldinho, é considerado membro do Conselho Permanente da facção e braço-direito de Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar. Segundo relatórios da Polícia Civil e da Polícia Militar, ele teria articulado os ataques contra agentes de segurança em resposta à operação que deixou mais de 60 mortos.

O nome de Naldinho está entre os detentos cuja transferência para o sistema prisional federal foi solicitada pelo governador Cláudio Castro (PL) e aprovada pelo governo federal. A medida busca conter a influência de lideranças criminosas que, mesmo presas, continuam ordenando ações nas ruas.

Além de sua ligação com Beira-Mar, Naldinho mantém contato com Edgard Alves de Andrade, o Doca da Penha, apontado como principal liderança do Comando Vermelho em liberdade no Rio.

Tentativa de fuga e histórico de crimes

Em 2021, Naldinho tentou deixar o presídio de forma fraudulenta. Integrantes da facção enviaram um alvará de soltura falso ao Presídio Gabriel Ferreira Castilho, assinado por um suposto juiz do Rio de Janeiro e enviado por e-mail. Agentes penitenciários desconfiaram do documento e confirmaram que se tratava de uma falsificação.

Após a descoberta, o criminoso permaneceu preso e foi posteriormente transferido para o Complexo de Bangu 3, onde cumpre pena e aguarda transferência ao sistema federal.

O nome de Naldinho também aparece em investigações da Polícia Federal. Em interceptações telefônicas, os agentes identificaram mensagens em que ele determinava uma “trégua” durante a reunião do G20, realizada no Rio no ano passado — uma demonstração de sua influência dentro da estrutura do Comando Vermelho.

A megaoperação e suas consequências

A ofensiva policial nos complexos da Penha e do Alemão resultou em 64 mortes, segundo dados oficiais do governo do Rio. Entre as vítimas, estavam 60 suspeitos e quatro policiais. Além disso, 81 pessoas foram presas e 93 fuzis apreendidos.

De acordo com a Polícia Militar, dezenas de corpos foram recolhidos por moradores e levados à Praça São Lucas, na Estrada José Lucas, após os confrontos. O episódio é considerado o mais letal da história do estado, superando a operação do Jacarezinho, em 2021, quando 28 pessoas foram mortas.

As autoridades afirmam que continuam investigando as ordens repassadas por lideranças do crime dentro dos presídios e o envolvimento direto de Naldinho na retaliação.

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