MPRJ denuncia PMs por morte de criança de 10 anos no Complexo do Alemão; caso reabre após 9 anos
O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) apresentou uma denúncia contra dois policiais militares pela morte de Eduardo de Jesus Ferreira, de 10 anos. O menino foi vítima de um disparo de fuzil em abril de 2015, durante uma operação policial no Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio de Janeiro.
A denúncia, formalizada pela 1ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal Especializada do Núcleo Rio de Janeiro, acusa os policiais Rafael de Freitas Monteiro Rodrigues e Marcus Vinicius Nogueira Bevitori de **homicídio qualificado**. Segundo o MPRJ, Eduardo estava sentado na entrada de sua casa, na localidade conhecida como Ping Pong, quando foi atingido pelas costas, a aproximadamente quatro metros de distância. Essas circunstâncias, de acordo com a promotoria, **impediram qualquer chance de defesa** da criança.
Além de pedir que os policiais sejam levados a julgamento pelo Tribunal do Júri, o Ministério Público também solicitou a condenação ao pagamento de uma indenização mínima de **R$ 1 milhão** pelos danos causados à família. A morte de Eduardo gerou grande repercussão na época.
Reabertura e contestação de versão anterior
Em 2016, o caso havia sido arquivado. Na ocasião, o inquérito da Polícia Civil concluiu que os agentes agiram em legítima defesa durante um confronto armado na comunidade e que o disparo que atingiu o menino teria ocorrido acidentalmente. No entanto, familiares e testemunhas sempre contestaram essa versão desde o início das investigações.
A promotoria destacou que o laudo pericial elaborado no dia do crime **não encontrou estojos, cápsulas de munição ou qualquer outro vestígio** que indicasse a ocorrência de um confronto entre policiais e criminosos. Mesmo assim, o processo foi arquivado pela 2ª Câmara Criminal, sob o argumento de que não havia elementos suficientes para o prosseguimento da ação penal.
Novos elementos levam à reabertura da investigação
A investigação foi reaberta em 2024, impulsionada pela apresentação de novos elementos pela mãe de Eduardo, Terezinha de Jesus. Ela manteve a busca pela responsabilização dos envolvidos ao longo dos últimos nove anos, demonstrando a persistência na busca por justiça para o filho.
A reportagem de O DIA buscou contato com as defesas dos policiais Rafael de Freitas Monteiro Rodrigues e Marcus Vinicius Nogueira Bevitori, bem como com a PM, para obter posicionamentos sobre o caso. O espaço permanece aberto para manifestações.














