O Ministério Público Federal abriu apuração para investigar episódios de intimidação e ameaças contra professores e universitários da UFRJ e da UFF. A ofensiva golpista e política gerou medo, esvaziou salas de aula e cancelou debates internos no Rio de Janeiro.
As intimidações chegaram aos diretórios estudantis e docentes por aplicativos de mensagens e redes sociais. O clima de tensão provocou o cancelamento de reuniões presenciais e assembleias por receio de agressões físicas nos campi fluminenses.
Investigação apura clima de medo e censura nas federais do Rio
O procedimento do Ministério Público Federal quer descobrir quem está por trás das mensagens e quais providências a Universidade Federal do Rio de Janeiro e a Universidade Federal Fluminense estão tomando para proteger suas comunidades. O inquérito busca assegurar a integridade física de alunos, técnicos e professores, além de resguardar o direito constitucional de manifestação de pensamento dentro dos espaços universitários.
De acordo com o órgão ministerial, os relatos apontam a ocorrência prática do chamado efeito inibidor. Esse fenômeno acontece quando a perseguição e as ameaças criam um ambiente tão pesado que as pessoas deixam de exercer seus direitos básicos, abandonam debates públicos e evitam ir a locais coletivos por medo de represálias e violência.
A representação inicial partiu do Andes-SN, o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior. A entidade reuniu relatos de ataques virtuais sistemáticos ocorridos no Rio de Janeiro e também no Rio Grande do Sul, demonstrando um padrão coordenado de intimidação política.
O que já se sabe sobre as ameaças
No estado do Rio, os registros mais graves atingiram diretamente lideranças do Diretório Central dos Estudantes Mário Prata, que representa os graduandos da UFRJ, além de turmas e coletivos da UFF, com forte presença em Niterói. Mensagens anônimas disparadas em grupos de conversa continham xingamentos, avisos de emboscada e ameaças diretas contra quem organizasse encontros acadêmicos com viés político ou social.
Por causa das intimidações, assembleias previamente marcadas precisaram ser suspensas às pressas. Professores relataram preocupação com a segurança nas salas de aula e nos corredores, enquanto estudantes optaram por não comparecer aos locais de estudo em determinados horários da noite, temendo emboscadas no entorno dos campi.
O Ministério Público Federal agora cobra relatórios formais das reitorias para entender como as equipes de vigilância interna e o suporte de segurança patrimonial estão atuando para evitar invasões ou agressões dentro das unidades públicas de ensino.
Como fica a rotina universitária
Mesmo com as apurações em andamento, as aulas seguem mantidas nas unidades da UFRJ, distribuídas pela Cidade Universitária, na Ilha do Fundão, e no campus da Praia Vermelha, na Urca. Na UFF, as atividades acadêmicas continuam nos polos de Niterói, como Gragoatá e Praia Vermelha, além das unidades espalhadas pelo interior fluminense.
Estudantes relatam que a circulação noturna exige cuidado redobrado nos pontos de ônibus e acessos aos campi. As representações estudantis e sindicais agora avaliam reforçar a segurança das reuniões e manter canais diretos de comunicação com as delegacias das áreas para evitar incidentes durante encontros abertos ao público.
A comunidade acadêmica aguarda respostas oficiais sobre a instalação de câmeras de monitoramento adicionais, reforço de iluminação em trajetos críticos e protocolos rápidos para acionar a Polícia Militar e a Polícia Federal caso pessoas armadas ou agressivas tentem invadir os espaços de estudo.
Quem responde por isso
Por envolver autarquias federais de ensino superior, a apuração criminal e cível cabe às esferas da União. O Ministério Público Federal conduz os inquéritos para checar a conduta das instituições e investigar a violação de direitos fundamentais garantidos pela Constituição Federal.
No âmbito da investigação policial direta sobre as ameaças e crimes cibernéticos, a Polícia Federal é o órgão competente para rastrear os números de telefone, endereços de IP e perfis que disseminaram as mensagens com ameaças de agressão. Paralelamente, as reitorias da UFRJ e da UFF são responsáveis pela apuração administrativa interna e pela coordenação dos planos de segurança patrimonial nos prédios públicos.
As reitorias foram notificadas para apresentar as medidas de proteção que já foram colocadas em prática e o que ainda será feito para tranquilizar os estudantes que dependem das instalações todos os dias para concluir seus cursos.
Como denunciar
Estudantes, professores, funcionários e moradores que presenciarem atitudes suspeitas ou forem alvos de ameaças ligadas à rotina universitária podem formalizar queixas diretamente nos canais oficiais de fiscalização:
- Ministério Público Federal: As representações e envios de provas como capturas de tela, links e áudios podem ser feitos pela internet na Sala de Atendimento ao Cidadão pelo endereço mpf.mp.br/mpfservicos.
- Disque Denúncia do Rio de Janeiro: Informações anônimas sobre grupos que planejam agressões ou atuam no entorno dos campi podem ser repassadas pelo telefone 2253-1177, com atendimento 24 horas por dia, ou pelo aplicativo oficial Disque Denúncia RJ.
- Polícia Federal: Para registros diretos de crimes de competência federal ou intimidações contra servidores e órgãos da União, a denúncia pode ser apresentada na Superintendência da Polícia Federal no Rio de Janeiro, localizada na Avenida Rodrigues Alves, 1, no Centro, ou pelo portal gov.br/pf.
- Polícia Militar: Em caso de ameaça imediata, tumulto ou flagrante de violência nos arredores dos prédios universitários, a população deve ligar imediatamente para o telefone 190.














