Um motociclista de 26 anos morreu após ser baleado na cabeça por um policial militar durante uma abordagem na Rua Mariz e Barros, em Icaraí, Niterói, na noite de sábado. O agente responsável pelo disparo foi preso em flagrante.
O caso aconteceu quando agentes do programa Niterói Presente tentaram parar o jovem. Segundo a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, o rapaz teria desobedecido à ordem de parada inicial, o que deu início ao acompanhamento tático pelas ruas do bairro.
Entenda as versões sobre o disparo que matou o jovem em Icaraí
A abordagem terminou quando o trânsito retenso obrigou o motociclista a parar. A partir desse momento, as declarações prestadas à polícia apresentam divergências claras sobre como o disparo aconteceu na pista.
Em depoimento, um dos PMs afirmou que a equipe viu o rapaz avançando sinal vermelho e empinando a moto. Ele alegou que, ao cercar o veículo, usou spray de pimenta e viu o jovem colocar a mão na cintura. O militar disse que sacou a arma e que o tiro foi involuntário no momento em que desembarcava da viatura.
Uma testemunha que estava no local deu uma versão completamente diferente. Ela afirmou que o motociclista parou e levantou as mãos assim que foi cercado. Segundo o relato, um agente jogou o spray de pimenta e o outro atirou em seguida, sem que o rapaz fizesse qualquer gesto suspeito.
Pessoas que passavam pela Rua Mariz e Barros relataram que o jovem trabalhava como entregador de aplicativo. Após o tiro, a própria polícia fez uma revista no rapaz e confirmou que nenhum objeto ilícito ou arma foi encontrado com a vítima.
O socorro foi acionado e o Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro levou a vítima para o Hospital Estadual Azevedo Lima, no bairro do Fonseca. O motociclista, no entanto, não resistiu aos ferimentos na cabeça e faleceu na unidade de saúde.
O que já se sabe sobre a prisão e a investigação
O policial militar que efetuou o disparo foi preso em flagrante e encaminhado para uma unidade prisional da corporação. A Corregedoria Geral da Polícia Militar acompanha os procedimentos internos do caso.
A investigação criminal está sob responsabilidade da Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSG). Os agentes da especializada já ouviram testemunhas e recolheram imagens de câmeras de segurança de comércios da Rua Mariz e Barros para reconstruir a dinâmica da ação.
Os policiais militares envolvidos alegaram ainda que o uso do spray de pimenta também serviu para afastar moradores e pedestres que se aglomeraram revoltados com a cena logo após o disparo.
Como fica a região de Icaraí nos próximos dias
O trânsito na Rua Mariz e Barros ficou temporariamente retido durante a realização da perícia da Polícia Civil na noite de sábado, mas o fluxo de veículos já opera normalmente na região.
Moradores e trabalhadores informais do bairro relatam apreensão com a abordagem e cobram mais segurança nas ações do Niterói Presente. O policiamento no bairro de Icaraí segue com patrulhamento reforçado pelas equipes do 12º BPM (Niterói).
Como denunciar abusos ou prestar depoimento
Quem presenciou a abordagem na Rua Mariz e Barros e quer enviar vídeos ou prestar depoimento pode procurar diretamente a sede da Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSG), localizada no bairro do Cafubá, em Niterói.
Para denunciar abusos de autoridade ou prestar informações de forma totalmente anônima, o cidadão pode ligar para o Disque Denúncia do Rio de Janeiro pelo telefone (21) 2253-1177. O serviço funciona 24 horas por dia e garante o sigilo do denunciante.
A Corregedoria da Polícia Militar também recebe denúncias sobre condutas de agentes pelo telefone (21) 2332-6690 ou presencialmente na Ouvidoria da Polícia, localizada no Centro do Rio de Janeiro.















