Motoboys protestam em condomínio após ameaça com arma em São Gonçalo
A noite de sábado (20) foi marcada por um protesto de motoboys em frente a um condomínio em Alcântara, São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. A manifestação ocorreu após um entregador de aplicativo ter sido ameaçado com uma arma por um funcionário do local na noite anterior, sexta-feira (19).
Vídeos que circularam nas redes sociais mostram o momento da discussão. O funcionário, visivelmente alterado, xinga o motoboy e chega a quebrar o celular que registrava a ação. “Vai ficar roncando aqui no meu trabalho? Tô armado mesmo. Vai meter a mão em mim? É contigo mesmo, compadre. Vai chamar teus amiguinhos”, disse o homem, segundo o relato.
A revolta dos entregadores culminou em uma manifestação mais intensa na noite de sábado. O grupo se reuniu, lançou o que foram descritas como “bombas” para dentro do condomínio, realizou um buzinaço e, em um ato de fúria, quebrou o portão de acesso ao espaço residencial.
Ação policial e depredação de patrimônio
A Polícia Militar foi acionada para atender a uma ocorrência de obstrução de via pública. Ao chegarem ao local, os agentes constataram que um grupo de motoboys bloqueava o trânsito e realizava atos de baderna. A corporação informou que os manifestantes depredaram o patrimônio do condomínio.
O portão principal de entrada de veículos foi completamente destruído, assim como o motor elétrico responsável pela abertura automática. “Ao perceberem a presença de policiais, os motociclistas se dispersaram. Diante dos danos materiais constatados e da infração penal, a equipe conduziu as partes à 74ª DP (Alcântara)”, explicou a Polícia Militar em comunicado oficial.
Versão do funcionário e desdobramentos
Após a confusão, o funcionário do condomínio se manifestou através das redes sociais, alegando ter sido ameaçado primeiro. Ele afirmou que possui filmagens desde o início do ocorrido e pretende entrar com uma ação judicial, pois alega que mais de 20 motoboys foram ao local para “linchá-lo”.
Segundo o relato do funcionário, o entregador teria iniciado as ameaças após ele não ter atendido de imediato. “Eu estava respondendo uma mensagem importante do condomínio e falei boa tarde para o motoqueiro, mas ele não escutou pois estava com o capacete. Ele bateu no vidro da portaria e falei que não precisava bater, ele foi e começou a me responder, tentei conversar mas ele não quis explicação”, declarou.
Ele acrescentou que orientou o entregador a entrar em contato com o morador para realizar a entrega pelo aplicativo. “Em vez dele entrar em contato, começou a me xingar e pegou o capacete para me agredir. Depois começou a filmar, já fui na delegacia e vou pagar o conserto do celular”, relatou o funcionário.
Investigação em andamento
A Polícia Civil confirmou que o caso foi registrado na 74ª Delegacia de Polícia (DP) de Alcântara. Diligências estão sendo realizadas para apurar todos os fatos e esclarecer as circunstâncias do incidente que levou à ameaça, ao protesto e à depredação do patrimônio do condomínio, envolvendo motoboys e um funcionário.














