O motoboy colombiano Manuel Lopez Murillo, de 25 anos, conseguiu fugir na última sexta-feira (17) de um cativeiro no Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio. Ele passou três dias em cárcere privado após criminosos o confundirem com um rival.
O trabalhador foi resgatado por policiais militares da Unidade de Polícia de Proximidade (UPP) do Complexo da Penha enquanto tentava escapar descendo a comunidade a pé. Desorientado e com ferimentos leves, ele foi levado pelos agentes para atendimento médico no Hospital Estadual Getúlio Vargas, na própria Penha, antes de seguir para a delegacia.
Trabalhador foi mantido em quarto escuro após deixar passageira
O caso começou logo depois que o motoboy finalizou uma corrida de aplicativo e desembarcou uma idosa na região. Enquanto retirava o capacete da passageira para ajudar no atendimento, ele acabou cercado por um homem em outra motocicleta.
Segundo o relato da vítima à Polícia Civil, o suspeito exigiu pegar seu celular e notou que havia um intercomunicador preso ao capacete. Esse aparelho, comum entre entregadores que precisam ouvir chamadas e instruções de rota de GPS sem tirar as mãos do guidão, levantou desconfiança no criminoso.
O homem acusou o jovem colombiano de agir como informante e de monitorar os passos da facção que controla a área. Logo depois, comparsas armados foram chamados pelo rádio comunicador. Manuel foi colocado na garupa de uma motocicleta e levado para o interior da comunidade.
Na sequência, o jovem relatou que teve os braços amarrados e foi jogado na caçamba de um automóvel. O veículo o transferiu para um endereço desconhecido dentro da favela, onde ele permaneceu trancado em um cômodo fechado, totalmente privado da claridade solar.
Por causa do isolamento absoluto, o motoboy perdeu a referência temporal e acreditou estar preso há cinco dias. A esposa dele confirmou que o desaparecimento durou três dias inteiros. O trabalhador aproveitou um momento de descuido na vigilância, notou uma fresta em uma janela e pulou para fora, correndo ladeira abaixo até avistar a viatura da polícia.
O que já se sabe sobre o caso
A investigação preliminar realizada pela 22ª DP (Penha) apontou que Manuel foi vítima de roubo e agressões físicas antes de ser submetido ao cárcere privado. Os bandidos que dominam a localidade acreditavam que ele pertencia a uma facção rival ou colaborava com forças de segurança.
O inquérito foi transferido para a 38ª DP (Brás de Pina), delegacia responsável pela apuração definitiva e pela identificação dos envolvidos na emboscada. Até o momento, os bens roubados da vítima, incluindo a motocicleta usada para o serviço, não foram localizados pelas equipes policiais.
Como denunciar
Quem tiver informações sobre movimentação de cativeiros, esconderijo de veículos roubados ou a atuação de grupos criminosos na região da Penha e de Brás de Pina pode avisar as autoridades anonimamente. O serviço do Disque Denúncia do Rio funciona 24 horas por dia pelo telefone (21) 2253-1177, que também atende mensagens pelo WhatsApp.
Denúncias também podem ser feitas pelo aplicativo oficial “Disque Denúncia RJ” ou pelo site oficial do programa. Em situações de emergência ou flagrante nas ruas, a população deve ligar imediatamente para o telefone 190 da Polícia Militar.
O que fazer se você foi vítima
Trabalhadores de aplicativo ou moradores que forem vítimas de assalto, coação ou violência física devem procurar uma unidade policial logo após receberem assistência médica. No caso de crimes sem violência direta, o boletim de ocorrência pode ser emitido pela internet por meio do portal da Delegacia Online da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro.
Para crimes graves com agressão física ou retenção de liberdade, o comparecimento presencial a uma delegacia é indispensável para a realização de exames no Instituto Médico Legal (IML). É recomendável reunir dados da corrida, horário aproximado da abordagem e características dos suspeitos para repassar aos investigadores.














