O governador em exercício do Rio de Janeiro determinou o afastamento imediato dos policiais militares que participaram da abordagem que terminou na morte de Jefferson Dias da Silva, de 51 anos, na Avenida Brasil. A vítima chefiava a pasta de Desenvolvimento Econômico de Queimados.
O caso aconteceu na noite de segunda-feira, por volta das 21h, na altura da Penha, perto da estação do BRT Marinha Mercante. O caso gerou pânico entre motoristas que passavam pela pista expressa da principal via expressa da cidade.
Governo afasta PMs após tiros contra carro de secretário na Penha
Segundo testemunhas que estavam na via expressa, o secretário dirigia um carro da marca BYD quando recebeu ordem de parada dos agentes. O motorista não teria parado no momento da ordem policial, e os agentes atiraram contra o automóvel. Jefferson morreu no local antes de receber socorro.
Com o tiroteio em plena via expressa, motoristas deram marcha a ré e dirigiram na contramão para escapar dos disparos. O governador em exercício, desembargador Ricardo Couto, afirmou em nota oficial que a gravidade da ação exige apuração rápida e transparente. Por isso, mandou tirar os policiais das ruas enquanto o caso é apurado.
Jefferson Dias da Silva era conhecido na Baixada Fluminense como Jeferson da Linave. Além de comandar a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico de Queimados, ele atuou como vereador na mesma cidade. A prefeitura do município da Baixada decretou luto e prestou apoio à esposa e à filha do secretário.
O que já se sabe sobre o caso
A Delegacia de Homicídios da Capital assumiu as investigações para apontar o motivo dos disparos e a conduta de cada policial presente na abordagem. Os peritos da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro estiveram no local da ocorrência ainda durante a madrugada para recolher cápsulas e analisar a lataria do veículo atingido.
As armas usadas pelos agentes foram recolhidas para realização de exame de confronto balístico. Além disso, os investigadores já solicitaram os arquivos gravados pelas câmeras corporais operadas pelos PMs durante o turno. As imagens devem esclarecer se houve reação vinda de dentro do automóvel ou se os disparos partiram unicamente da equipe policial.
A Corregedoria Geral da Polícia Militar abriu um procedimento apuratório interno e declarou que colabora diretamente com as investigações civis. Até o fechamento desta reportagem, a família do secretário não havia definido os horários do velório e do sepultamento.
Quem responde por isso
A abordagem envolveu equipes do 22º Batalhão de Polícia Militar, sediado no bairro da Maré, que cobre trechos da Avenida Brasil e arredores. O comando do batalhão encaminhou os PMs para prestar depoimento na sede da DHC, localizada na Barra da Tijuca, ainda na madrugada.
O Governo do Estado do Rio de Janeiro comunicou que acompanha passo a passo os depoimentos e garantiu a responsabilização legal caso fique comprovado o excesso no uso da força. O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro também acompanha a apuração por meio de suas promotorias especializadas na fiscalização da atividade policial.
Como denunciar abusos e repassar informações
Quem estava na Avenida Brasil na hora da abordagem e filmou a ação, ou tem dados que ajudem a polícia a esclarecer a dinâmica dos fatos, pode procurar os canais anônimos de atendimento da segurança pública:
- Disque Denúncia do Rio: ligue para o telefone (21) 2253-1177. O canal funciona 24 horas por dia, com atendimento anônimo garantido por lei.
- WhatsApp do Disque Denúncia: envie mensagens, vídeos ou fotos para o número (21) 2253-1177.
- Delegacia de Homicídios da Capital (DHC): a unidade atende na Rua Dom Meinrado, 21, no Engenho Novo, para depoimentos formais.
- Corregedoria da Polícia Militar: relatos de irregularidades de agentes públicos podem ser enviados pelo telefone (21) 2725-9000 ou diretamente na Ouvidoria da corporação.
Como fica a rotina na Avenida Brasil
O trecho da Avenida Brasil onde ocorreu a morte, próximo à estação Penha e ao BRT Transcarioca, já opera sem interdições ou retenções causadas pela perícia. No entanto, o policiamento ostensivo foi mantido reforçado por determinação do comando-geral da corporação ao longo da via.
A prefeitura de Queimados manteve os serviços essenciais nos postos de saúde, escolas e creches municipais durante o expediente normal. As repartições ligadas diretamente à Secretaria de Desenvolvimento Econômico tiveram o expediente alterado em respeito à família do secretário.















