A morte em lipoaspiração em Campo Grande ganhou novos desdobramentos com a realização da primeira audiência de instrução do processo que apura a responsabilidade pela morte da técnica de segurança do trabalho Marílha Menezes Antunes, de 28 anos. O procedimento ocorreu em setembro do ano passado, em uma unidade hospitalar da Zona Oeste do Rio.
O médico José Emílio de Brito e a enfermeira Sabrina Rabetin Serri são réus na ação e respondem por homicídio qualificado. A audiência foi conduzida pelo juiz Thiago Portes Vieira de Souza, da 1ª Vara Criminal da Capital.
O primeiro a prestar depoimento foi o perito da Polícia Civil Taurion Ortiz. Segundo ele, o exame de necropsia identificou grande quantidade de sangue na cavidade abdominal da vítima. O laudo do Instituto Médico Legal apontou perfuração no rim e hemorragia interna como causas relacionadas ao óbito.
Na sequência, foi ouvida Liane Lopes Barbosa, que trabalhava na clínica onde o procedimento foi realizado. Ela relatou que, ao entrar na sala de cirurgia, a paciente já se encontrava em parada cardiorrespiratória.
A médica do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), Flávia Herculian Capel, afirmou que, ao chegar ao local poucos minutos depois, constatou sinais de que a vítima já estava sem vida. De acordo com o depoimento, a equipe do médico realizava manobras de reanimação cardiopulmonar havia mais de uma hora e meia. A profissional também informou que foi responsável por comunicar aos familiares o falecimento, já que o médico apresentava sinais de nervosismo.
Claudia Maria da Cunha Neves, integrante da Vigilância Sanitária, disse que participou de vistoria no estabelecimento. Conforme relatou, em inspeção anterior foram encontrados medicamentos vencidos e um desfibrilador antigo, sem capacidade adequada para a realização das checagens necessárias antes e após plantões médicos.
Outras duas profissionais do Samu também foram ouvidas. Silvânia Maria Dias Lopes afirmou que chegou ao local posteriormente e não permaneceu na sala devido à superlotação. Já Lilian da Silva Lima declarou que presenciou a atuação conjunta das equipes nas tentativas de reanimação, participando do revezamento nas manobras.
A continuação da audiência foi marcada para o dia 10 de abril, às 14h30, quando novas testemunhas devem ser ouvidas e o caso seguirá avançando na fase de instrução processual.
O andamento do processo reacende o debate sobre fiscalização de procedimentos estéticos e segurança em clínicas particulares, tema que continua gerando repercussão entre familiares, profissionais da saúde e autoridades.















