A morte de Jimmy Cliff foi confirmada nesta segunda-feira, em um comunicado divulgado pela esposa do artista, Latifa, que descreveu a perda como profundamente dolorosa para a família, amigos e milhões de admiradores ao redor do mundo. O cantor e compositor jamaicano, um dos maiores nomes da história do reggae e do ska, tinha 81 anos e morreu após sofrer uma convulsão provocada por um quadro de pneumonia.
No texto, Latifa agradeceu o apoio dos fãs e recordou o carinho que acompanhou Jimmy Cliff ao longo de toda a carreira. Ela também expressou gratidão à equipe médica e pediu privacidade no momento de luto, reforçando que continuará honrando os desejos do marido. O comunicado foi finalizado por ela e pelos filhos, Lilty e Aken, que prometeram divulgar mais detalhes em breve.
Jimmy Cliff construiu uma trajetória que transcendeu fronteiras e se tornou referência global não apenas pela musicalidade, mas pela força cultural que carregava. Dono de clássicos como The Harder They Come, You Can Get It If You Really Want e Many Rivers to Cross, ele ajudou a difundir o reggae para o restante do planeta e abriu caminho para uma nova geração de artistas jamaicanos.
No Brasil, a morte do cantor ressoou de forma ainda mais intensa, já que o país ocupou um papel especial em sua história pessoal e artística. Sua primeira passagem por aqui aconteceu em 1968, quando desembarcou no Maracanãzinho para participar do Festival Internacional da Canção. A energia da cidade o inspirou imediatamente, dando origem à composição de Wonderful World, Beautiful People, uma de suas músicas mais famosas. No mesmo período, gravou o álbum Jimmy Cliff in Brazil, eternizando a relação com o público brasileiro.
Durante as décadas seguintes, Cliff tornou-se presença constante no Brasil, especialmente no Rio e na Bahia, regiões que ele considerava fontes de inspiração espiritual e cultural. No Rio de Janeiro, era tão comum vê-lo circulando pela Zona Sul que fãs brincavam dizendo que ele “morava na praia”. Ele ria das histórias e nunca escondia o carinho pelo país. Já na Bahia, mergulhou profundamente na cultura afro-brasileira, estabelecendo conexões que marcariam seus projetos e sua visão artística.
Momentos marcantes de sua vida também aconteceram em solo brasileiro. Em Salvador, em 1992, nasceu sua filha Nabiyah Be, fruto do relacionamento com a psicóloga baiana Sônia Gomes da Silva. Anos depois, Nabiyah ganhou destaque internacional ao atuar no filme Pantera Negra, orgulho que Jimmy Cliff expressava sempre com emoção.
A carreira do cantor também dialogava intensamente com o cinema. Em 1972, ele protagonizou The Harder They Come (Balada Sangrenta), filme que ajudou a projetar o reggae para o mundo e se tornou um clássico. No Brasil, décadas depois, ele eternizou novamente sua presença ao cantar Querem Meu Sangue com os Titãs no álbum Acústico MTV, revisitando sua própria história através de uma das versões mais emblemáticas do repertório nacional.
Jimmy Cliff seguia ativo artisticamente até seus últimos anos. Seu último single, Human Touch, refletia sobre solidão, esperança e conexão humana, e marcou um retorno ao estilo que o consagrou nos anos 1960. Mesmo morando em Kingston, ele seguia compondo e alimentando novos projetos.
A confirmação de sua morte encerra um capítulo monumental da música mundial, mas seu legado permanece vivo nos discos, nos palcos e nas lembranças espalhadas por gerações de fãs. Suas músicas ecoam em diversas culturas e seguem influenciando artistas de diferentes estilos. Em cada acorde de Many Rivers to Cross e em cada história vivida no Brasil, Jimmy Cliff deixa uma marca permanente.
A voz histórica que atravessou o tempo agora descansa, enquanto o mundo da música se despede de um de seus gigantes — e o reggae perde mais uma lenda que jamais será esquecida.














