Morte de 36 Bebês no Hospital Salvalus: Mãe Revela Transferência de Filho Comatoso da UTI por Risco de Bactérias

Investigação Policial Apura Morte de 36 Bebês no Hospital Salvalus Após Revelação de Transferência da UTI por Risco de Contaminação

A Polícia Civil de São Paulo instaurou inquérito para investigar as circunstâncias de 36 mortes de bebês ocorridas no Hospital Salvalus, na Mooca, zona leste da capital paulista, ao longo deste ano. A investigação ganhou força após relatos de mães que perderam seus filhos na unidade, integrada à rede HapVida NotreDame Intermédica.

Um dos casos que chocou as autoridades e familiares é o de Gael França da Silva, que faleceu aos sete meses. Sua mãe relatou que, em determinado momento da internação, seu filho, que estava em coma induzido na UTI, foi transferido para a enfermaria por um médico que alegou haver uma “concentração de bactérias existentes na UTI”, tornando a enfermaria um local “mais seguro”.

O caso de Gael levanta sérias questões sobre os protocolos de segurança e a qualidade do atendimento na unidade de terapia intensiva. A mãe do bebê relatou uma série de complicações que levaram à morte do filho, e o número de óbitos investigados sugere um problema sistêmico no hospital. As informações foram obtidas pelo Metrópoles através de um boletim de ocorrência.

Trajetória de Gael: Da Febre à Morte em Sete Meses

Gael França da Silva deu entrada no Hospital Nossa Senhora do Rosário, também da rede HapVida, com apenas quatro meses de idade, apresentando febre. Inicialmente, a equipe médica diagnosticou inflamação na garganta e prescreveu medicamentos sem a realização de exames, conforme depoimento da mãe à Polícia Civil.

No dia seguinte, o quadro de Gael se agravou, com queda de temperatura e palidez, levando os pais a procurarem o Hospital Salvalus. Lá, exames confirmaram um processo infeccioso, levando à transferência do bebê para a UTI, onde ele precisou ser entubado e teve medicação administrada em seu pé devido à dificuldade de acesso venoso.

Durante a internação na UTI, o pé de Gael necrosou, e a visão da criança também foi comprometida. Após mais de um mês em coma induzido, ele foi movido para a enfermaria, ainda inconsciente, sob a justificativa de risco de contaminação bacteriana na UTI. A mãe, preocupada, comprou um oxímetro e, ao notar queda na saturação do filho, solicitou o retorno dele à UTI. Gael faleceu dois meses depois.

Investigação Policial e Número Alarmante de Óbitos

A Polícia Civil de São Paulo registrou ao menos nove boletins de ocorrência no 8º Distrito Policial (DP) do Brás, além de outros em delegacias distintas, relacionados a mortes de bebês no Salvalus. A reportagem teve acesso a 16 certidões de óbito, e uma assistente jurídica informou estar em contato com 36 mães que perderam seus filhos na unidade nos últimos meses.

A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que os casos foram comunicados em 21 de outubro e que diligências estão sendo realizadas, incluindo oitivas de profissionais de saúde, testemunhas e análise de prontuários médicos para esclarecer as causas das mortes.

Posição da Rede HapVida

Em nota, a rede HapVida manifestou solidariedade às famílias e reafirmou seu compromisso com a segurança e qualidade da assistência. A rede declarou que os relatos são tratados com seriedade e que as avaliações iniciais não identificaram uma origem infecciosa comum entre os casos examinados.

A HapVida destacou que o Hospital Salvalus é referência em assistência pediátrica de alta complexidade e que recebe pacientes com condições clínicas graves. A rede hospitalar ressaltou que atribuir uma mesma causa a situações distintas sem comprovação técnica pode gerar pânico e angústia desnecessária às famílias, e que a unidade permanece à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.

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