Violeta Barrios de Chamorro, ex-presidente da Nicarágua e símbolo da luta pela democracia, morreu neste sábado (14) aos 95 anos, na Costa Rica. Ela foi a primeira mulher eleita presidente nas Américas e se destacou por sua atuação na pacificação da Nicarágua após anos de guerra civil. A informação foi confirmada por seus filhos, que divulgaram uma nota oficial.
“Dona Violeta faleceu em paz, cercada pelo carinho e amor de seus filhos e das pessoas que lhe proporcionaram cuidados extraordinários”, informou o comunicado da família.
Ela governou a Nicarágua entre 1990 e 1997, sendo peça fundamental no processo de reconciliação nacional. Violeta precisou se exilar na Costa Rica desde 2023, fugindo da perseguição imposta pelo regime do atual presidente Daniel Ortega.
Violeta Barrios de Chamorro enfrentava complicações decorrentes de Alzheimer e de uma embolia cerebral sofrida em 2018. Sua morte marca o fim de uma trajetória marcada pela defesa das liberdades civis e da democracia.
“Seus restos descansarão temporariamente em San José, Costa Rica, até que a Nicarágua volte a ser uma República, e seu legado patriótico possa ser honrado em um país livre e democrático”, declarou a família em nota.
O presidente do Panamá, José Raúl Mulino, prestou homenagens: “Grande dama, lutadora e democrata. À família e ao povo democrático da Nicarágua, envio sinceras condolências”, afirmou.
A trajetória de Violeta ficou marcada pela resistência à ditadura de Anastasio Somoza. Ela era viúva do jornalista Pedro Joaquín Chamorro, assassinado em 1978 por combater o regime ditatorial. Após o assassinato do marido, Violeta assumiu a direção do jornal La Prensa, um dos principais veículos de oposição.
Quando a Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) derrubou Somoza, em 1979, ela participou da Junta de Governo, mas rompeu com os sandinistas anos depois. Em 1990, venceu as eleições presidenciais pela União Nacional Opositora (UNO), derrotando Daniel Ortega.
Seu governo foi marcado pela abolição do serviço militar obrigatório, pelo desarmamento dos grupos paramilitares e pela promoção da liberdade de imprensa e dos direitos civis. Economicamente, ela abriu o país ao mercado externo, enfrentando também greves e resistência interna.
Organizações e personalidades exiladas lamentaram a morte de Violeta Barrios de Chamorro. “Dona Violeta nos lembra que nenhum exílio é eterno e que mesmo as ditaduras mais sanguinárias têm prazo de validade”, declarou Arturo McFields, ex-embaixador da Nicarágua na OEA.
A morte de Violeta representa não apenas a despedida de uma líder, mas também o encerramento de um ciclo histórico na luta pela democracia na Nicarágua e nas Américas.














