Morre Tânia Rodrigues, fundadora da Andef e ex-deputada estadual

Tânia Rodrigues

Morre Tânia Rodrigues, fundadora da Andef e ex-deputada estadual, nesta quarta-feira (11), no Rio de Janeiro. Reconhecida como uma das principais lideranças na defesa dos direitos das pessoas com deficiência, ela construiu uma trajetória marcada pela atuação política, médica e social.

Tânia Rodrigues foi vereadora de Niterói entre 1992 e 1994 e deputada estadual de 1995 a 2002. Sua atuação parlamentar ficou marcada por iniciativas voltadas à inclusão, à saúde pública e à cidadania. Presidiu a Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa do Rio e participou de investigações que apontaram irregularidades em bancos de sangue e hemocentros no estado.

A história de vida da ex-deputada foi profundamente influenciada pela infância. Aos três anos, contraiu poliomielite, o que resultou em paralisia infantil. A convivência com hospitais e tratamentos moldou sua escolha profissional: formou-se em Medicina pela Universidade Federal Fluminense, especializou-se em Neurologia e atuou tanto na rede pública quanto privada.

Em 1981, no Ano Internacional das Pessoas com Deficiência, participou de um congresso em Recife que motivou a criação da Associação Niteroiense dos Deficientes Físicos (Andef), fundada em 31 de agosto daquele ano. A entidade se tornaria uma das maiores organizações do segmento no país, beneficiando milhares de pessoas com programas de qualificação profissional e inclusão no mercado de trabalho.

Durante a carreira legislativa, Tânia Rodrigues foi autora de leis de impacto no Estado do Rio, como a que tornou obrigatório o uso do cinto de segurança, a que instituiu a meia-entrada para jovens até 25 anos e a que definiu a pessoa idosa a partir dos 60 anos para efeitos legais. Também participou da criação do Dia Estadual de Luta da Pessoa com Deficiência.

Mesmo após deixar os mandatos, manteve atuação ativa em conselhos e movimentos ligados à causa, além de apoiar iniciativas que fortaleceram o esporte paralímpico.

A filha, Camila Rodrigues, prestou homenagem nas redes sociais. “Hoje eu não perdi uma parte de mim, eu morri junto!! Quem conhece a história da minha mãe sabe o quanto ela foi guerreira a vida inteira! […] Era minha melhor amiga, minha mentora, meu alicerce”, escreveu.

A causa da morte não foi divulgada até o momento, e ainda não há informações sobre velório e sepultamento.

Com uma trajetória que uniu superação pessoal, militância e produção legislativa, Tânia Rodrigues deixa marcas profundas na política fluminense e na história da inclusão no Brasil — um legado que segue presente nas instituições e nas leis que ajudou a construir.

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