Morre Lygia Santos, museóloga e defensora do samba, aos 91 anos

Lygia Santos

Morre Lygia Santos, aos 91 anos, neste domingo (1º). Filha do compositor Donga, autor do clássico “Pelo Telefone”, e da cantora erudita Zaíra de Oliveira, Lygia foi uma das maiores intelectuais ligadas à valorização do samba, da cultura negra e da memória da música popular brasileira. Escritora, museóloga, professora e pesquisadora, ela marcou gerações com sua atuação firme e afetuosa em defesa das raízes do povo.

Formada professora na década de 1950, pelo Instituto de Educação, Lygia também era graduada em Direito pela UFRJ e em Museologia pela UniRio. Foi uma das fundadoras do Renascença Clube, referência da cultura negra no Rio. Ao longo da vida, esteve presente em momentos históricos do samba, como as lendárias Noitadas de Samba no Teatro Opinião, e na fundação do Clube do Samba, ao lado de João Nogueira, Martinho da Vila, Clara Nunes e outros gigantes.

Em parceria com Marilia Trindade Barboza, Lygia Santos escreveu o livro Paulo da Portela: Traço de União entre Duas Culturas, publicado em 1980 e premiado pela Funarte. A obra continua sendo um dos maiores referenciais para pesquisadores de samba e carnaval. Atuou também em cargos de destaque como diretora de Difusão Cultural da Secretaria de Educação e Cultura do Rio e na Fundação de Artes do Estado (Funarj).

A pesquisadora também integrou a gestão do Museu da Imagem e do Som (MIS), ao lado de Nilcemar Nogueira, e foi professora no Instituto do Carnaval da Universidade Estácio. Tornou-se presidente de honra do Clube da Maior Idade e participou como jurada do prêmio Estandarte de Ouro. Sua trajetória foi eternizada na música Na Casa de Lygia Santos, composta por Leci Brandão e gravada por Didu Nogueira, que retrata os saraus culturais que ela promovia em sua casa.

Lygia Santos lutava contra o Alzheimer há cerca de dez anos. Ela deixa a filha, Márcia Zaíra, e o neto Felippe. O velório acontece nesta segunda-feira (2), a partir das 17h, na capela premium B do Cemitério São Francisco Xavier, no Caju. O corpo será cremado em seguida.

Nas redes sociais, as homenagens foram muitas. Nilcemar Nogueira escreveu: “Você virou uma estrela cheia de purpurina. Vá em paz, serena e elegante, como sempre me lembrarei de você.” Didu Nogueira também lamentou: “Vá com Deus, minha mãe imensa Lygia Santos.” O cavaquinista Serginho Procópio desejou força à família: “Que Deus a receba e conforte o coração de todos.” Já o compositor Jorge Simas destacou: “Era uma Tia Ciata contemporânea. Esteve sempre a serviço da cultura e das artes.”

Em sua coluna no jornal Correio da Manhã, Sérgio Cabral, ex-governador do Rio, foi direto: “Lygia teve um papel fundamental na minha formação. A ela, o meu amor, a minha gratidão e a saudade.”

O Brasil se despede de uma gigante da memória cultural. Morre Lygia Santos, mas seu legado permanece vivo em cada verso de samba, em cada roda de cultura e na história de um povo que ela ajudou a valorizar.

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