Morre Joyce Prado aos 38 anos; diretora deixa legado no cinema negro

Joyce Prado

A notícia de que morre Joyce Prado aos 38 anos abalou o audiovisual brasileiro nesta quinta-feira (11). A diretora e roteirista, premiada por seus trabalhos que ampliaram a representação negra no cinema, teve a morte confirmada pela Associação de Profissionais do Audiovisual Negro (Apan), da qual foi cofundadora. A causa não foi divulgada.

Joyce era considerada uma das vozes mais relevantes na criação de narrativas negras contemporâneas. Cofundadora da Oxalá Produções, acumulou reconhecimento por obras que dialogam com ancestralidade, memória e identidade. Seu impacto artístico foi ressaltado em nota divulgada pela Apan, que destacou sua força, sensibilidade e papel central na formação de uma geração de profissionais negros no setor audiovisual.

A diretora ganhou grande projeção com o documentário Chico Rei Entre Nós (2020), vencedor no 44º Festival Internacional de Cinema de São Paulo. O filme revisita a história do rei congolês escravizado no Brasil que conquistou sua liberdade e a de seus súditos, explorando os efeitos duradouros da escravidão e refletindo sobre resiliência e inclusão.

No cinema, Joyce também assinou o longa Flores de Baobá (2016), premiado pelo público no Black Star Film Festival. Em outras frentes, dirigiu séries como The Beat Diaspora (YouTube Originals) e Ancestralidades (Arte 1), ampliando seu alcance para diferentes plataformas e públicos.

Sua parceria com a cantora Luedji Luna rendeu diversos trabalhos marcantes, entre eles clipes, o documentário Memórias de ‘Um Corpo no Mundo’ e o curta visual do álbum Bom Mesmo É Estar Debaixo D’Água. As produções lhes renderam premiações no Music Video Festival Awards e no Women’s Music Event.

Em uma homenagem emocionada nas redes sociais, Luedji Luna destacou a profundidade da amizade e a importância artística de Joyce. A cantora lembrou como a diretora contribuiu para seus projetos e afirmou que seu olhar poético seguirá presente em sua trajetória.

Colegas, instituições e admiradores lamentaram a perda precoce da cineasta, cuja obra permanece como referência no fortalecimento das narrativas negras e na ampliação da representatividade no cinema brasileiro.

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