Jankel Schor, eternizado como o Vovô das embaixadinhas, morreu nesta quinta-feira (31), aos 98 anos, no Rio de Janeiro. Ele ficou famoso nos anos 1990 e 2000 por se apresentar com habilidade e simpatia no intervalo dos jogos em São Januário e, principalmente, no Maracanã.
Natural da extinta União Soviética e naturalizado brasileiro, Jankel morava no Leblon, mas faleceu no hospital Badim, na Tijuca — bairro onde nasceu o America, clube do seu coração, e a poucos metros do Maracanã, palco de sua fama. A causa da morte foram complicações de uma infecção urinária que se espalhou pelo corpo.
Jankel começou a se apresentar no Maracanã em 2000, e sua presença virou tradição até o fechamento do estádio para as obras da Copa do Mundo de 2014. Após a reforma, ainda fez participações pontuais, mas passou a encantar o público com suas embaixadinhas nos calçadões do Leblon, aos domingos e feriados.
Segundo a filha, Marta Schor, “as pessoas não podiam vê-lo na rua, na praia, que o cumprimentavam. Ele não podia entrar no supermercado que já era reconhecido”.
As embaixadinhas viraram parte fundamental de sua vida após a aposentadoria. Filho de família humilde, Jankel estudou só até a quarta série e começou cedo no comércio. Primeiro como ambulante nos subúrbios, depois dono de uma rede de lojas de móveis. Ao se aposentar, com 60 anos, passou a jogar futevôlei e chamou a atenção de nomes como Romário e Edmundo.
Foi Romário quem o indicou a Eurico Miranda, dirigente do Vasco, que o convidou para se apresentar nos intervalos dos jogos em São Januário. A torcida cruz-maltina logo o adotou, e não demorou para que o Maracanã também abrisse as portas ao Vovô.
Em sua trajetória, um dos momentos mais marcantes foi a viagem ao Japão com o Vasco, durante o Mundial de Clubes de 1998. Convidado por Eurico, Jankel se apresentou para o público japonês e recebeu elogios até do craque francês Michel Platini.
Com o avanço da idade, as embaixadinhas tornaram-se mais raras. Jankel passou a brincar com a bola apenas dentro de casa, mas nunca perdeu o orgulho de ter encantado o Maracanã com seus pés habilidosos.
“Ele falava da satisfação de fazer as embaixadinhas, se orgulhava que a bola não caía. Isso o deixava muito feliz”, relembrou Marta.
Viúvo há dois anos, o Vovô das embaixadinhas deixa quatro filhos, quatro netos e seis bisnetos — além de um espaço eterno no imaginário afetivo dos torcedores cariocas.














