A ativista feminista e jornalista americana Gloria Steinem morreu na quarta-feira (2), aos 92 anos, em sua casa na cidade de Nova York. A confirmação foi feita pela fundação da escritora em publicação oficial nesta quinta-feira (3).
Segundo a nota divulgada nas redes sociais, Gloria faleceu de forma serena e cercada por pessoas queridas. Ela dedicou mais de meio século de vida à defesa da igualdade de gênero, dos direitos trabalhistas das mulheres e da autonomia reprodutiva.
Morre Gloria Steinem: a trajetória e o legado da pioneira do feminismo
Gloria Steinem se tornou uma das figuras mais conhecidas da história recente na luta por direitos iguais. Com sua atuação contundente, ela ajudou a transformar debates sociais em políticas públicas reais para as trabalhadoras em todo o mundo.
Sua voz ganhou força entre o fim dos anos 1960 e início dos anos 1970. Ao lado de outras ativistas, ela fundou em 1971 o National Women’s Political Caucus, organização voltada a aumentar a participação feminina na política e no governo.
No mesmo período, Gloria cofundou a revista Ms., veículo que marcou época ao colocar na pauta nacional assuntos que antes eram ignorados, como violência doméstica, igualdade salarial e discriminação no ambiente de trabalho.
Quem foi Gloria Steinem e qual a sua importância?
Nascida nos Estados Unidos, Gloria atuou como jornalista, palestrante, escritora e organizadora comunitária. O visual marcante, com cabelos loiros repartidos e óculos no estilo aviador, transformou a escritora em um símbolo moderno da causa feminina.
Diferente de visões ultrapassadas sobre o movimento, Gloria sempre defendeu que o feminismo deveria acolher mulheres de todas as classes e raças. Ela trabalhou diretamente com lideranças negras e comunitárias para amplificar a voz das trabalhadoras mais vulneráveis.
Em 2013, o então presidente americano Barack Obama entregou a ela a Medalha Presidencial da Liberdade. Essa é a maior honraria civil concedida nos Estados Unidos a pessoas que deram contribuições marcantes à sociedade.
Onde assistir aos filmes e ler os livros sobre a ativista?
A vida e a história de Gloria Steinem foram retratadas em diferentes produções do cinema e da literatura. Para quem quer entender melhor a trajetória da ativista, existem opções acessíveis em plataformas de streaming e livrarias.
- Filme “As Glórias” (The Glorias, 2020): Longa-metragem dirigido por Julie Taymor que mostra as diferentes fases da vida da jornalista. Está disponível para aluguel ou compra em plataformas digitais.
- Documentário “Gloria: In Her Own Words” (2011): Produção da HBO que reúne entrevistas e imagens de arquivo da própria ativista. Pode ser encontrado no catálogo do serviço HBO Max.
- Livro “Minha Vida na Estrada” (My Life on the Road, 2015): Autobiografia escrita por Gloria que serviu de base para o filme de 2020. O livro pode ser encontrado em livrarias físicas e virtuais no Brasil.
Quais foram as principais lutas defendidas pela ativista?
Durante mais de 50 anos de atuação pública, Gloria Steinem concentrou seus esforços em pautas essenciais para o dia a dia das mulheres. Ela defendia com firmeza a igualdade salarial entre homens e mulheres que exercem a mesma função.
Outro ponto central de seu trabalho foi a garantia do acesso à saúde reprodutiva e à educação sexual. Para Gloria, o direito da mulher de decidir sobre o próprio corpo era pré-requisito básico para a independência financeira e pessoal.
Mesmo após completar 90 anos, ela continuou participando de manifestações, palestras e encontros comunitários. Além da causa feminina, participou ativamente de campanhas contra guerras e em defesa dos direitos civis.
Como a sua luta impactou as mulheres no Brasil e no mundo?
O trabalho realizado por Gloria e suas companheiras nos Estados Unidos ecoou em diversos países, incluindo o Brasil. As conquistas obtidas ao longo das décadas ajudaram a fortalecer leis contra o assédio e a discriminação no mercado de trabalho.
A mensagem central deixada pela escritora era a importância de ouvir as histórias reais de mulheres comuns. Quem pega condução, trabalha em dupla jornada e sustenta a família encontra nas pautas de Gloria a busca por respeito e oportunidades iguais.
Em suas últimas declarações públicas, a ativista costumava reforçar que a mudança social não depende de grandes líderes, mas sim da união de pessoas comuns dispostas a ajudar umas às outras no cotidiano.















