Moradores relatam desespero com UPA de Costa Barros fechada há uma semana

UPA de Costa Barros

A Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Costa Barros, na Zona Norte do Rio, completa uma semana de portas fechadas após a invasão de criminosos armados ocorrida no último dia 30 de setembro. Desde o episódio, moradores da região relatam desespero, abandono e dificuldade para conseguir atendimento médico, precisando se deslocar para bairros distantes em busca de socorro.

Durante o ataque, bandidos invadiram a unidade, agrediram pacientes, ameaçaram funcionários e sequestraram uma ambulância. Segundo a Polícia Militar, os criminosos buscavam por feridos em confrontos entre facções rivais dos Complexos do Chapadão e da Pedreira, que disputam o controle da área. No momento da invasão, 11 pessoas estavam internadas e precisaram ser retiradas às pressas.

A Secretaria Municipal de Saúde informou que a UPA permanece fechada por falta de segurança e aguarda a ocupação permanente das forças policiais para retomar o atendimento. Muitos profissionais pediram transferência, suporte psicológico e psiquiátrico após o trauma.

Moradores, porém, dizem que o fechamento da unidade está causando colapso no acesso à saúde. A corretora de imóveis Mirela Sousa, moradora do Complexo da Pedreira, contou que precisou levar a filha de 12 anos até a UPA de Rocha Miranda para atendimento. “Um absurdo, estamos sem atendimento. Cheguei em casa de madrugada, e tudo isso poderia ser evitado se a UPA daqui estivesse aberta. É revoltante, porque saúde é um direito básico”, desabafou.

A cuidadora Thainá Cristina também relatou dificuldades. “Precisei de atendimento por intoxicação alimentar e fui surpreendida com a unidade fechada. Além disso, o posto que funciona no mesmo prédio está parado, e eu não consigo mais pegar meus medicamentos de pressão. Minha sobrinha teve o pré-natal cancelado. Estamos abandonados”, afirmou.

A líder comunitária Elaine Oliveira, que trabalhou por 13 anos na unidade, disse que os moradores estão sendo punidos injustamente: “Nós estamos sendo massacrados por uma culpa que não é nossa. A UPA é essencial para o bairro. A gente pede que os órgãos entrem em acordo e reabram o quanto antes, porque o povo está sofrendo.”

A Polícia Militar informou que determinou ocupação por tempo indeterminado em Costa Barros, com apoio do Comando de Operações Especiais (COE) e do 41º BPM (Irajá). Em nota, a corporação reconheceu a complexidade da região, marcada por disputas entre facções e vulnerabilidade social. “Mantemos esforços permanentes para restabelecer a ordem e proteger vidas, em cooperação com outros órgãos públicos”, declarou a PM.

Até o momento, a Secretaria Municipal de Saúde não informou uma data para a reabertura da UPA. Enquanto isso, moradores seguem sem atendimento e enfrentam longas viagens para outras unidades. “A UPA é um direito nosso. Pagamos impostos e queremos apenas o básico: saúde e segurança”, resume Elaine, em tom de apelo.

Limpatech