Maynara Bittencourt, modelo e influenciadora de 29 anos, denunciou ter sido vítima de agressão física e ofensas racistas dentro do elevador de um prédio no Centro do Rio. De acordo com a reportagem de Aretha Dossares do jornal O Dia, o episódio teria ocorrido na última sexta-feira (30), após um esbarrão acidental no braço de uma mulher.
Segundo Maynara, a situação começou de forma repentina e rapidamente passou para ataques verbais. A influenciadora afirma ter sido chamada de “favelada” e “macaca” durante a discussão.
“Eu sou uma mulher preta e, infelizmente, me tornei mais uma vítima do racismo que tantas pessoas enfrentam todos os dias no nosso país”, declarou, em depoimento ao jornal O Dia.
Ao perceber a gravidade do episódio, Maynara contou que tentou gravar a situação com o celular para preservar provas. Nesse momento, segundo ela, foi agredida e teve o aparelho quebrado.
“Quando tentei gravar o que estava acontecendo para me proteger e registrar a violência que eu estava sofrendo, fui agredida. Levei arranhões e tive meu celular quebrado em uma tentativa clara de me calar e impedir que a verdade fosse mostrada”, lembrou, em depoimento ao jornal O Dia.
Ainda de acordo com a influenciadora, a mulher tentou deixar o local após a reação de pessoas que presenciaram a cena. Depois do ocorrido, Maynara e a suspeita foram encaminhadas por guardas da Secretaria Municipal de Ordem Pública para a 4ª DP, em Presidente Vargas.
A modelo relatou que permaneceu cerca de nove horas aguardando atendimento na delegacia e disse ter ficado emocionalmente abalada após o episódio.
“Depois de tudo isso, quando eu já estava emocionalmente abalada, ainda precisei passar cerca de nove horas em uma delegacia em condições extremamente precárias”, contou, em depoimento ao jornal O Dia.
Maynara também afirmou que espera por justiça e reforçou que o caso representa uma dor vivida diariamente por muitas pessoas negras.
“A dor que eu sinto não é apenas minha. Ela carrega a história de muitas pessoas pretas que diariamente são ofendidas, discriminadas e tratadas como se valessem menos. Eu quero justiça. Por mim, pela minha família e por todas as pessoas que já tiveram sua humanidade questionada por causa da cor da sua pele. Não podemos mais tolerar esse tipo de violência”, declarou, em depoimento ao jornal O Dia.
Em nota, a Polícia Civil informou que o caso foi registrado na 4ª DP, na madrugada de sábado (30), e depois encaminhado à 1ª DP, na Praça Mauá, responsável pela continuidade das investigações.
A corporação afirmou que o registro da ocorrência e as oitivas dos envolvidos duraram aproximadamente duas horas na unidade policial.
“A instituição ressalta que as delegacias atendem simultaneamente diversas ocorrências de diferentes naturezas e graus de complexidade. Os agentes realizam procedimentos técnicos indispensáveis para a correta formalização dos fatos, de modo a garantir o adequado acolhimento e a correta prestação de serviço ao cidadão”, informou.
A Polícia Civil também destacou que disponibiliza canais para reclamações e denúncias por meio da Ouvidoria e da Corregedoria, destinados ao recebimento de relatos sobre eventual má conduta de servidores.
O caso segue sob investigação, enquanto Maynara Bittencourt cobra responsabilização pelo episódio que, segundo ela, deixou marcas físicas e emocionais.














