O modelo de ônibus piso baixo, exigido na nova licitação da Prefeitura do Rio, caiu em desuso na cidade devido à má qualidade do asfalto, segundo o sindicato Rio Ônibus. Esse tipo de veículo, que permite embarque sem degraus e facilita o acesso de pessoas com deficiência, já foi mais comum na frota carioca, mas hoje representa menos de 0,25% dos coletivos em circulação.
Com a substituição dos consórcios atuais — Intersul, Internorte, Transcarioca e Santa Cruz — por 31 novos lotes de operação, a cidade deverá receber cerca de 5 mil novos ônibus até 2028. Todos eles deverão seguir o novo padrão de acessibilidade, com veículos de piso baixo, conforme determinação municipal. No entanto, o desafio está na adequação das vias para receber esse tipo de tecnologia.
A Secretaria de Conservação (Seconserva) informou que um estudo está em andamento, em parceria com a CET-Rio, para que o programa de recapeamento das vias avance de forma coordenada com a entrada dos novos coletivos. Desde 2021, mais de 920 quilômetros de asfalto já foram renovados, mas é preciso maior cobertura para garantir a durabilidade dos ônibus e a segurança dos passageiros.
Na prática, dos dez ônibus com piso baixo que ainda restam na cidade, apenas três estavam circulando na última quinta-feira (29), segundo o sindicato. Os demais permanecem nas garagens como frota reserva, por serem modelos antigos, com quase uma década de uso, e que exigem mais manutenção do que os ônibus convencionais.
Redução progressiva da frota
A frota de ônibus com piso baixo já foi mais significativa no Rio de Janeiro. Em 2019, havia 59 veículos desse tipo em operação. Em 2023, o número caiu para 27, e hoje, em 2025, restam apenas dez. O piso baixo, embora mais acessível, sofre com o desgaste acelerado provocado por buracos e ondulações nas ruas, tornando sua manutenção mais cara e menos viável para as empresas operadoras.
O Rio Ônibus afirma que, sem investimentos consistentes na pavimentação e na infraestrutura viária, manter uma frota majoritariamente composta por ônibus com esse perfil será um desafio técnico e econômico. A proposta da prefeitura, no entanto, está atrelada à melhoria progressiva das ruas ao longo dos próximos anos, em consonância com a entrada dos novos lotes licitados.
Novos lotes prometem modernização
A licitação anunciada nesta semana pela prefeitura prevê a divisão das linhas de ônibus em 31 lotes: 22 estruturais — que interligam bairros — e 9 locais — com operação em áreas restritas. Os três primeiros lotes terão edital lançado em julho, com previsão de licitação em outubro. As novas empresas operadoras devem iniciar os trabalhos em abril de 2026.
Cada lote terá exigências específicas, incluindo a adoção do modelo de ônibus piso baixo e outras metas de qualidade, como renovação periódica da frota, cumprimento de horários e conforto para os passageiros. A medida busca corrigir falhas históricas no transporte público carioca, oferecendo um serviço mais inclusivo e confiável.
Acessibilidade em foco
A proposta de ampliar a presença de ônibus com piso baixo pretende facilitar a vida de cadeirantes, idosos e pessoas com mobilidade reduzida. Ao dispensar o uso de elevadores, os veículos reduzem o tempo de embarque e proporcionam maior independência aos usuários. Para isso, no entanto, é essencial que as ruas estejam preparadas para receber esse tipo de transporte.
A iniciativa faz parte de um pacote maior de modernização do sistema de transporte público, que também prevê bilhetagem digital, rastreamento em tempo real dos coletivos e melhor integração entre linhas. A expectativa da prefeitura é de que, com a nova licitação e os investimentos em infraestrutura, o modelo de ônibus piso baixo volte a ter protagonismo nas ruas da cidade.














