A presença de Míriam Leitão na ABL está oficialmente confirmada. A jornalista e escritora foi eleita nesta quarta-feira (30) para ocupar a cadeira 7 da Academia Brasileira de Letras, vaga deixada pelo cineasta Cacá Diegues, falecido em fevereiro deste ano. Míriam recebeu 20 votos, superando o ex-ministro Cristovam Buarque, que obteve 14.
A cadeira tem como patrono o poeta Castro Alves e já foi ocupada por outra mulher anteriormente: a escritora Dinah Silveira de Queiroz. Com a eleição de Míriam, a ABL passa a ter 12 mulheres entre seus membros, um número ainda modesto diante dos 40 “imortais”, mas representativo em um cenário historicamente dominado por homens.
O presidente da ABL, Merval Pereira, destacou a escolha como alinhada aos valores da academia. “Ela tem preocupações com o meio ambiente, com a democracia, com os negros, com a política oficial do governo sobre as minorias”, afirmou, elogiando o papel da jornalista no debate público e na produção literária nacional.
Mineira de Caratinga, Míriam Leitão é autora de 16 livros que transitam entre o jornalismo, a literatura infantil, a crônica e o romance. Recebeu prêmios importantes como o Jabuti, o Maria Moors Cabot, o Vladimir Herzog e o Esso. No jornalismo, atua há mais de cinco décadas e é comentarista política dos veículos do Grupo Globo, além de colunista do jornal O Globo.
A trajetória de Míriam Leitão na ABL também carrega um simbolismo histórico. Em 1972, aos 19 anos e grávida, foi presa durante a ditadura militar, acusada de violar a Lei de Segurança Nacional. Sua história de resistência, aliada à produção intelectual consolidada, contribuiu para sua eleição à instituição máxima das letras brasileiras.
Entre suas principais obras estão Saga Brasileira (vencedor de dois prêmios Jabuti), História do Futuro, Tempos Extremos e Democracia na Armadilha. Também é autora de livros infantis premiados, como A perigosa vida dos passarinhos pequenos e O estranho caso do sono perdido.
Míriam se une a outros jornalistas e intelectuais contemporâneos que ocupam cadeiras na ABL, consolidando o espaço da imprensa e da literatura de não ficção na entidade. Sua eleição foi comemorada por colegas de profissão e leitores que acompanham seu trabalho há décadas.
A posse de Míriam Leitão na ABL ainda será marcada em data a ser definida. Até lá, ela já começa a ser tratada como “imortal” — título simbólico que passa a carregar com o compromisso de preservar, renovar e promover a cultura e a literatura no país.














