A Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro prendeu em flagrante um homem apontado como integrante de uma milícia que atuava usando uniforme e distintivo falsos da corporação. A prisão ocorreu na Zona Oeste da capital fluminense, região que concentra disputas constantes entre grupos paramilitares rivais e traficantes.
O suspeito utilizava a vestimenta clonada para circular sem levantar suspeitas, intimidar comerciantes e cobrar taxas ilegais de segurança e transporte alternativo. Agentes da corporação conseguiram interceptar o homem após investigações da inteligência policial apontarem a circulação de uma viatura descaracterizada com ocupantes fardados de maneira irregular.
Prisão de miliciano disfarçado de policial civil expõe tática de grupos armados
Durante a abordagem, os policiais constataram que os equipamentos, peças de fardamento e a identificação funcional portados pelo suspeito não pertenciam aos quadros oficiais do estado. Além da roupa tática adulterada, o homem portava rádio transmissor, simulacro de arma de fogo e anotações com registros de cobranças impostas a moradores e pequenos empresários da localidade.
Segundo a corporação, o uso de fardas clonadas tem se tornado um artifício comum entre criminosos para aplicar golpes, realizar invasões a comunidades e coagir comerciantes sem que os moradores consigam diferenciar a ação de uma operação legal. O preso foi conduzido para a delegacia de plantão, onde foi autuado pelos crimes de usurpação de função pública e extorsão mediante associação criminosa.
A investigação aponta que outros membros do grupo continuam atuando na Zona Oeste com métodos semelhantes. O esquema arrecadava valores diários de quiosques, lojas de conveniência e motoristas de vans, impondo medo e ameaçando com agressões físicas aqueles que atrasavam os pagamentos forçados.
O que já se sabe sobre o caso e a atuação do grupo
O homem preso vinha sendo monitorado há algumas semanas, após relatos de comerciantes sobre cobranças feitas por supostos agentes da segurança pública. As equipes constataram que nenhuma equipe oficial da Polícia Civil estava destacada para ações de rotina com aquele padrão nas áreas descritas pelas vítimas.
A polícia agora pericia os equipamentos apreendidos para identificar fornecedores das peças táticas com os símbolos oficiais. Investigadores da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (DRACO) buscam apurar se o material foi adquirido por encomenda em confecções clandestinas ou adquirido pela internet de forma ilegal.
O material recolhido com o suspeito já foi encaminhado para a perícia técnica. O veículo utilizado pelo criminoso também passou por verificação para identificar possíveis sinais de adulteração de chassi ou placas clonadas.
Como identificar um policial civil verdadeiro
A presença de indivíduos fardados cobrando valores ou exigindo dinheiro em nome de serviços públicos é sinal imediato de crime. Policiais reais não realizam cobranças presenciais, não vendem segurança privada para o comércio de rua e não solicitam taxas de proteção sob hipótese alguma.
O cidadão tem o direito de verificar a identificação funcional de qualquer agente do estado durante abordagens que não estejam no meio de tiroteios ou confrontos armados imediatos. A carteira funcional da Polícia Civil traz brasão oficial, fotografia, número de matrícula e marca d’água de autenticidade, diferindo das réplicas plásticas vendidas no mercado informal.
Em caso de mandado de busca ou intimação, o documento judicial deve conter o nome do juiz expedidor, o número do processo e o endereço exato do imóvel. Em blitzes ou batidas em vias públicas, viaturas oficiais exibem identificação clara e operam em equipes completas devidamente identificadas.
Como denunciar ações de milicianos e falsos agentes
Moradores que reconhecerem ações de suspeitos com uniformes falsos podem encaminhar informações de forma anônima e segura. O principal canal de comunicação do estado opera ininterruptamente para receber denúncias sobre atuação de milícias, cobranças ilegais e extorsão armada.
- Disque Denúncia: Ligue para o telefone (21) 2253-1177, com atendimento 24 horas por dia e sigilo garantido.
- WhatsApp do Disque Denúncia: Mensagens de texto e fotos podem ser enviadas para (21) 2253-1177 sem necessidade de identificação.
- Plantão da Polícia Militar: Em caso de crime em andamento ou abordagem suspeita imediata, o telefone de emergência é o 190.
- DRACO: A delegacia especializada recebe relatos sobre extorsão paramilitar pelo telefone funcional da Cidade da Polícia, no bairro do Jacarezinho.
O morador nunca deve reagir ou confrontar pessoalmente quem aparenta portar armas de fogo. Todas as informações repassadas pela população de maneira anônima auxiliam a corporação a mapear a rota de fuga e a prisão de novos envolvidos no esquema.
O que fazer se você foi vítima de extorsão
O comerciante ou morador que pagou valores indevidos por intimidação de criminosos deve registrar o caso formalmente para viabilizar as ações judiciais. A formalização do boletim permite que a Polícia Civil instrua o inquérito e solicite a prisão preventiva de todos os membros da quadrilha.
O registro presencial pode ser feito em qualquer Delegacia de Polícia do Estado do Rio de Janeiro. Recomenda-se apresentar recibos de transferências bancárias, imagens gravadas por câmeras de segurança de lojas ou anotações deixadas pelos infratores durante a abordagem.
Também é possível lavrar o boletim online por meio do portal da Delegacia Online (dedic.pcerj.rj.gov.br) para casos em que não houve agressão física direta. O processo gera número de protocolo oficial e permite acompanhar o andamento das investigações pelo computador ou telefone celular.














