Milícia Cobrava R$ 25 Mil Mensais para Liberar Obras em Aterro da Comlurb em Gericinó, Denuncia Prefeitura do Rio

Milícia Exigia R$ 25 Mil Mensais para Liberar Obras em Aterro da Comlurb em Gericinó, Denuncia Prefeitura

A Prefeitura do Rio de Janeiro protocolou uma denúncia formal ao Ministério Público, expondo um suposto esquema de extorsão orquestrado por milicianos. O alvo da ação criminosa seria uma empresa contratada para gerenciar o aterro de resíduos da construção civil localizado em Gericinó, na Zona Oeste da capital.

A representação, enviada pela Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop) em janeiro de 2025, detalha que os criminosos demandavam o pagamento mensal de R$ 25 mil. Esse valor seria a contrapartida para que as atividades no aterro pudessem prosseguir sem interrupções, conforme noticiado pelo jornal O Globo.

A denúncia surge em um contexto de intensificação das ações de combate ao crime organizado na região. No mesmo dia em que a Prefeitura formalizou a queixa, a Polícia Civil deflagrou uma operação focada na cúpula da milícia do Catiri, área adjacente a Gericinó, que também é investigada por extorsão sistemática contra diversos setores da economia local.

Ameaças e Cobrança de Taxa para Funcionamento

O documento oficial, assinado pelo então secretário de Ordem Pública, Brenno Carnevale, relata depoimentos de representantes da empresa DRA Network do Brasil Serviços. Segundo esses relatos, funcionários da companhia passaram a ser alvo de ameaças diretas por parte de membros da milícia que controlam o território de Gericinó.

Além da exigência de um pagamento mensal de R$ 25 mil, os criminosos teriam imposto a necessidade de pagamentos adicionais vinculados à oferta de proteção armada. O relato encaminhado às autoridades descreve um cenário de intimidação constante, afetando tanto os trabalhadores quanto a gestão da empresa responsável pela operação do aterro.

A organização criminosa, conforme aponta a denúncia, buscava também interferir diretamente na gestão das atividades econômicas do local, impondo condições para a continuidade dos serviços e demonstrando uma clara tentativa de controle territorial e financeiro.

Obra Chegou a Ser Paralizada por Determinação da Milícia

A gravidade da situação se intensificou em 6 de janeiro de 2025, quando as atividades da empresa foram completamente interrompidas por ordem explícita dos criminosos. A denúncia aponta que a retomada dos trabalhos só seria permitida mediante o pagamento das taxas exigidas pela milícia.

Diante desse cenário de coação, a empresa buscou amparo nos órgãos de segurança pública, comunicando os fatos e adotando medidas para reforçar a proteção de seus funcionários, equipamentos e instalações, visando mitigar os riscos iminentes.

A Seop também informou ao Ministério Público que os criminosos exigiam a contratação de pessoas indicadas por eles como condição para o funcionamento da operação. Essa prática é frequentemente associada ao modus operandi de grupos paramilitares que buscam consolidar seu controle territorial.

Ministério Público Determinou Investigação do Esquema

Ao receber a denúncia apresentada pela Prefeitura do Rio, o Ministério Público agiu prontamente, requisitando a instauração de um inquérito policial. O objetivo é apurar detalhadamente as acusações de extorsão e identificar todos os envolvidos no esquema criminoso.

As investigações visam não apenas esclarecer a atuação da milícia nas regiões de Gericinó e Catiri, mas também determinar a real extensão das cobranças ilegais e das ameaças denunciadas pela empresa que opera o aterro da Comlurb, buscando coibir essas práticas e garantir a segurança e a ordem pública na área.

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