Uma parceria com a UFRJ quer tirar do papel a expansão do metrô para São Gonçalo, Baixada e Zona Oeste. O projeto prevê 50 quilômetros e 29 estações para socorrer trabalhadores que perdem horas no transporte.
A proposta foi apresentada durante a comemoração dos 136 anos do município de São Gonçalo. A intenção é unir os estudos técnicos do instituto Coppe, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, com o planejamento do governo estadual para viabilizar linhas essenciais de transporte de alta capacidade na Região Metropolitana.
Parceria com a UFRJ prevê projeto de 50 quilômetros para a Linha 3 do metrô
A promessa de levar o transporte sobre trilhos até São Gonçalo é um sonho antigo da população do Leste Metropolitano. Atualmente, o projeto conhecido como Prisma-RJ, desenvolvido pelos pesquisadores da Coppe/UFRJ com verbas parlamentares, já mapeia o traçado de uma nova linha para a região.
O planejamento detalhado inclui a construção de cerca de 50 quilômetros de trilhos e 29 estações estratégicas. Essa estrutura tem o objetivo de conectar a capital do estado aos municípios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí, atravessando a Baía de Guanabara.
Hoje, a travessia é feita prioritariamente pela Ponte Rio-Niterói ou pelas barcas, rotas que enfrentam grandes congestionamentos nos horários de pico. Com a chegada da linha metroviária, a estimativa técnica é reduzir drasticamente o tempo de viagem do trabalhador.
A conexão também prevê integração direta com o terminal da Central do Brasil, no centro do Rio de Janeiro. Isso facilitaria o acesso dos passageiros às demais linhas de trem da SuperVia, ao VLT e aos ônibus municipais e intermunicipais.
O que muda para quem vive na Baixada Fluminense e na Zona Oeste?
Moradores de cidades da Baixada Fluminense, como Duque de Caxias, Nova Iguaçu e Belford Roxo, além de bairros distantes da Zona Oeste, como Campo Grande e Santa Cruz, figuram entre os que mais perdem tempo em deslocamentos diários. A expansão planejada busca criar novos ramais e conexões diretas entre esses municípios e os polos de emprego.
Além da mobilidade sobre trilhos, a proposta defende a readequação das tarifas para tornar o sistema acessível à população de baixa renda. A integração tarifária entre os diferentes modais de transporte público é apontada como a principal ferramenta para diminuir o custo mensal das famílias periféricas.
Outro ponto destacado durante a apresentação foi o apoio aos municípios que recebem parcelas menores dos royalties do petróleo. O plano inclui auxiliar essas prefeituras a criar projetos de infraestrutura própria, atraindo indústrias e gerando empregos perto da moradia dos moradores.
Quais são as propostas para prevenção de enchentes e obras?
Além da expansão do transporte público, a infraestrutura das cidades da periferia precisa de intervenções urgentes para enfrentar o período de chuvas intensas no estado. A proposta prevê a ampliação do orçamento voltado para a contenção de encostas e obras de macrodrenagem nas áreas de maior risco de alagamento.
Bairros da Baixada Fluminense e do Leste Metropolitano historicamente sofrem com o transbordamento de rios e canais durante o verão. A realização de obras de limpeza de calhas, dragagem e pavimentação com sistema de escoamento é considerada fundamental para conter estragos.
O plano prevê a atuação em conjunto com a Defesa Civil dos municípios afetados para mapear os pontos críticos e executar obras estruturantes antes do início das fortes tempestades.
Como o passageiro pode fiscalizar o transporte público e cobrar melhorias?
Enquanto os novos projetos do metrô estão em fase de estudo, os passageiros que enfrentam problemas diários no transporte público intermunicipal podem acionar a Agência Reguladora de Transportes Públicos Concedidos do Estado do Rio de Janeiro (AGETRANSP). O órgão é responsável por fiscalizar os serviços prestados pelas concessionárias de metrô, trens e barcas.
Para registrar reclamações, denúncias ou sugestões sobre atrasos, superlotação e falta de acessibilidade nas estações, o cidadão pode entrar em contato diretamente com a Ouvidoria da AGETRANSP. O atendimento por telefone é gratuito e funciona pelo número 0800 282 9795, disponível em dias úteis, das 8h às 18h.
Também é possível registrar a ocorrência pela internet, acessando o portal oficial da agência estadual em www.agetransp.rj.gov.br ou enviando e-mail para ouvidoria@agetransp.rj.gov.br. Ter em mãos o dia, o horário, a linha e a estação do ocorrido ajuda os fiscais na apuração do caso.
O que se espera para os próximos passos da expansão metroviária?
A execução do projeto do metrô para o Leste Metropolitano, Baixada e Zona Oeste depende da conclusão dos estudos detalhados da Coppe/UFRJ, além do investimento de recursos públicos e privados. O planejamento de longo prazo exige concorrência pública, licenciamento ambiental e aprovação de financiamentos.
Até o momento, os estudos técnicos da universidade continuam sendo refinados para apontar o custo exato da obra e o impacto no tráfego das regiões atendidas. Os relatórios parciais do projeto Prisma-RJ seguem em análise e devem ser entregues às autoridades competentes nos próximos meses.
A expectativa da população fluminense é que a união entre os pesquisadores da universidade pública e a gestão estadual consiga finalmente tirar os projetos de mobilidade do papel após décadas de promessas.














