Megaoperação no Rio: articulador do tráfico da Família do Norte está entre os mortos

Cleiton Souza da Silva

O articulador do tráfico da Família do Norte, Cleiton Souza da Silva, de 31 anos, foi identificado entre os mortos da Operação Contenção, deflagrada pela Polícia Civil no Rio de Janeiro. Considerado um dos principais responsáveis por expandir as rotas do tráfico de drogas no Norte do país, Cleiton havia migrado recentemente para o Comando Vermelho, fortalecendo a aliança entre as facções.

De acordo com as investigações, o criminoso era peça-chave na reconfiguração do tráfico entre fronteiras, atuando nas regiões que ligam o Brasil ao Peru e à Colômbia — áreas estratégicas para a entrada de grandes carregamentos de drogas. A Polícia Civil afirmou que sua atuação contribuiu diretamente para o fortalecimento da estrutura nacional do Comando Vermelho.

Cleiton já tinha passagem por associação criminosa e extorsão mediante sequestro, além de um mandado de prisão em aberto. A corporação confirmou que ele estava entre os suspeitos mortos durante a ação nos complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte do Rio. Outros oito criminosos do Amazonas também foram identificados entre os mortos.

A lista divulgada pela Polícia Civil aponta que 62 dos 121 mortos na operação eram de outros estados. O levantamento foi feito por peritos da instituição e está sendo analisado pela Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), que investiga as circunstâncias das mortes e as conexões interestaduais e internacionais do grupo criminoso.

A Operação Contenção mobilizou mais de 2,5 mil agentes e se tornou a mais letal da história do Brasil. Segundo a Polícia Civil, 117 suspeitos e quatro policiais morreram durante os confrontos — dois militares e dois civis. A ação teve início no dia 28 de outubro e se estendeu até o dia 29, resultando em intensos combates na região da Serra da Misericórdia, onde foram encontrados 63 corpos em uma área de mata conhecida como Vacaria.

Moradores levaram os corpos até a Praça São Lucas, no Complexo da Penha, após o término das operações. Além das mortes, o delegado assistente da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), Bernardo Leal Annes Dias, ficou gravemente ferido e precisou ter uma perna amputada. Ele segue internado no Hospital Samaritano, na Barra da Tijuca, e necessita de doações de sangue.

Outros nove policiais militares ficaram feridos durante os confrontos. De acordo com a corporação, quatro deles permanecem internados no Hospital Central da PM, no Estácio, enquanto os demais já receberam alta. As investigações continuam para mapear os integrantes do Comando Vermelho e suas ligações com outras regiões do país.

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